Quantas autoras negras você leu em 2020?

28/12/2020 423 visualizações

A luta por representatividade de gênero e de raça ganhou força no mercado literário em 2020. O espaço conquistado é fruto de  movimentos protagonizados por elas mesmas em campanhas como o #leiamulheresnegras. Nunca se leu tantos livros de autoras negras quanto no ano que se passou, mas ainda é preciso avançar mais e dar mais visibilidade à produção literária das mulheres negras. Neste primeiro post de retrospectiva, perguntamos: quantas mulheres negras você leu em 2020?

Se sua resposta foi nenhuma, seguem algumas sugestões de lançamentos do Grupo Editorial Record de grandes mulheres escritoras para uma estante de livros mais diversa.

Por que gritamos, de Elisama Santos

Para pais e mães que querem educar com amor.
Depois do best-seller Educação não violenta, Elisama Santos, uma das maiores vozes quando o assunto é educar filhos, em Por que gritamos (Ed. Paz & Terra, 168 págs, R$ 39,90) compartilha com seus leitores e leitoras sua caminhada como mãe e educadora parental em busca de uma educação em que o diálogo entre mães, pais e crianças dá o tom. Longe de romantizar a relação entre pais e filhos, mostra que respeitar é diferente de ser permissivo e ajuda você a acessar a chave para lidar com os sentimentos escondidos atrás do grito, fazendo as pazes consigo e criando filhos emocionalmente saudáveis.
“A leitura dos livros de Elisama vale muito […]. Principalmente para entender que não somos os únicos e não estamos sozinhos nesta aventura cheia de caminhos que é a educação de uma criança.” – Taís Araújo, atriz, apresentadora e jornalista.

 

A terceira vida de Grange Copeland, de Alice Walker

A terceira vida de Grange Copeland (Ed. José Olympio, 336 págs, R$ 59,90), primeiro livro de Alice Walker — vencedora do Prêmio Pulitzer de 1983 pelo livro A cor púrpura —, revela o cotidiano de uma família negra no Sul dos Estados Unidos, por três gerações. Oprimido pela estrutura racista do condado de Baker, o trabalhador rural Grange Copeland abandona família e amante para ganhar a vida no Norte, mas retorna, após passar por experiências transformadoras, decidido a nunca mais conviver com pessoas brancas. Grange refaz sua vida, torna-se fazendeiro, mas tem que lidar com as consequências de suas escolhas no passado. Escrito com linguagem poderosa e precisa, o livro trata de violência — racial, social, familiar, contra a mulher —, mas também da força humana, capaz de mudar uma realidade inóspita por meio do amor e da ação no mundo.
Para a escritora Jarid Arraes, que assina a orelha do livro, “Alice Walker é corajosa. Aborda temas profundamente delicados e tabus dentro da própria comunidade negra. Escreve com a fome de quem precisa contar mais do que a realidade: precisa da crueza, da ferida mais inflamada e difícil de tratar. Esta obra é, em primeiro lugar, literatura para quem não teme a honestidade do espelho, as perguntas dolorosas e o grotesco.”

Então você quer conversar sobre raça, de Ijeoma Oluo

Escrito por Ijeoma Oluo, Então você quer conversar sobre raça (Ed. BestSeller, 312 págs, R$ 49,90) é um livro essencial para os dias de hoje. Diante dos últimos acontecimentos mundiais relacionados à supremacia branca — da violência policial ao encarceramento em massa da população negra —, os holofotes da mídia parecem se voltar para a questão do racismo em nossa sociedade. Para além das grandes questões de segurança e saúde públicas, este é um tema que permeia o nosso dia a dia. Por que em sala de aula lemos, basicamente, autores homens e brancos (e, muitas vezes, homens brancos europeus)? Como dizer a um amigo que ele fez uma piada racista? Por que sua amiga se sentiu ofendida quando você pediu para tocar no cabelo dela — e como é possível passar a agir corretamente? Como explicar o privilégio branco para seu amigo branco privilegiado? E como ajudar na luta antirracista sendo uma pessoa branca privilegiada? No livro, Oluo orienta leitores de todas as raças sobre assuntos que vão desde interseccionalidade e ações afirmativas a questões que envolvem as “minorias modelo” e o lugar de fala. Mas tendo sempre em vista tornar possível o aparentemente impossível: criar um espaço para conversas honestas sobre raça e racismo, e também sobre sua presença em vários setores da sociedade e aspectos de nossa vida.

Pacientes que curam, de Julia Rocha

Em Pacientes que curam (Ed. Civilização Brasileira, 304 págs, R$ 34,90), a médica Julia Rocha conta seu   cotidiano no Sistema Único de Saúde brasileiro, o SUS, onde trabalha há dez anos, desde que se formou. Os textos o que Julia – uma mulher negra,  médica de família e comunidade, mãe e cantora – vivenciou no plantão no hospital, em seu consultório na Unidade Básica de Saúde, na UPA ou em visita a pacientes em casa. E, ao fazer isso, traçam um retrato de um Brasil periférico, que vive mal desde sempre. Ao mesmo tempo, revelam o que há de universal, de sensível, no humano. No livro, vemos como saúde é muito mais do que não estar doente: é ter garantido o direito ao trabalho, à moradia, à alimentação, à educação, ao lazer e aos demais componentes do Estado de bem-estar social. Mas como proporcionar direitos às pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social? Como fazer cumprir os artigos da Constituição que estabelecem acesso universal e igualitário à saúde? É graças ao SUS, criado em 1986, e a sua rede de profissionais dedicados ao atendimento humanizado dos pacientes, temos a chance de conhecer a dra. Julia e os pacientes-personagens deste livro. Histórias como as de Juliana e Juraci, que sofriam de uma das piores doenças que a sociedade pôde transmitir, o racismo e a escravidão; de Ruth, que buscava um remédio para dormir e saiu com diagnóstico de opressão por machismo. E também como a da mulher que queria uma solução para diminuir o desejo sexual e descobriu que estava saudável; e de seu André, que quase morreu e encontrou o amor.