Record lança romance da inglesa Elizabeth Gaskell

1/11/2017 6 visualizações

Elizabeth Gaskell foi uma romancista britânica com obras ricas em detalhes da sociedade, principalmente das condições de vida dos mais pobres. De família originalmente burguesa, ela se casou com William Gaskell e estabeleceu-se em Manchester, cidade que traria inspiração para seus livros com temática industrial, como Mary Barton. Tornou-se popular devido ao seu estilo de escrita bem distinto, especialmente por suas histórias de fantasmas. Teve algumas destas publicadas por Charles Dickens na revista Household Words. Ainda que se mantivesse dentro das convenções vitorianas, sempre enfatizou o papel das mulheres, apresentando protagonistas femininas fortes e dinâmicas.

Neste romance, ela revela a luta de classes entre trabalhadores e patrões vigente na cidade de Manchester do século XIX. John Barton, operário que cria sozinho sua filha, Mary, leva uma vida difícil com o pouco que ganha por seu trabalho na fábrica. A moça logo começa a trabalhar como costureira, para ajudar seu velho pai nas despesas. Jem, um jovem da família Wilson, amiga dos Barton, desde cedo nutre um sentimento pela bela Mary. Juntas nas dificuldades, as duas famílias seguem firmes frente às injustiças cometidas contra os trabalhadores. A jovem, porém, se ilude com as propostas de Henry Carson, filho do dono da fábrica em que seu pai trabalha, formando o triângulo amoroso que permeia a trama. A situação social se agrava e, entre a falta de emprego e os salários miseráveis oferecidos, os trabalhadores escolhem negociar e protestar. Gaskell nos apresenta um final surpreendente, tanto para o embate social quanto para o desfecho amoroso.

Elizabeth Gaskell escreveu o livro em meio à crescente Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, e às lutas trabalhistas por mais direitos. Apesar da origem burguesa da autora e embora ela não tivesse a intenção de apoiar a chamada revolução, o livro chegou a ser considerado subversivo devido à sensibilidade com que lida com a causa trabalhista. Com a denúncia dos burgueses, o editor de Gaskell a convenceu de que deveria dar mais ênfase ao núcleo amoroso, a fim de sanar as críticas, e ela o fez, substituindo inclusive o título John Barton por Mary Barton. A então protagonista ganha status de heroína ao final do romance, papel que em geral não cabia às mocinhas da época.

Leia aqui o prefácio escrito pela tradutora Julia Romeu