Seis livros para ler no Dia Nacional do Repórter

16/02/2020 117 visualizações

Responsável por levar informações de interesse público, através dos meios de comunicação, o repórter recebeu um dia no calendário em sua homenagem: 16 de fevereiro. O profissional, que tem como função a apuração e checagem dos fatos, entrevistas e produção de matérias, pode atuar nas emissoras de TV, rádio, nos jornais impressos e on-lines.

Apesar da revolução da imprensa em 1442, com a técnica de impressão utilizando as máquinas de Gutenberg, foi só em 1871, com o jornal O Estado de São Paulo, que surgiu o primeiro veículo com caráter noticioso no país.  Em seguida, foi o criado o Jornal do Brasil, popularizando a criação de grandes reportagens.

Alguns profissionais, porém, não se limitaram as páginas dos jornais e resolveram publicar suas próprias obras. Através de uma extensa pesquisa, investigações, inúmeras entrevistas e, por vezes, correndo

riscos, os repórteres deram origem aos seus livros. Para homenageá-los, o Grupo Record selecionou cinco títulos que vão fazer você conhecer a história da imprensa, entender a conjuntura política do país e refletir sobre violência urbana, tráfico de drogas e as atividades criminosas do Estado.

Vamos lá:

“Deus tenha misericórdia dessa nação”, de Aloy Jupiara e Chico Otavio

Para entender a profunda depressão política que assolou o país, os jornalistas Aloy Jupiara e Chico Otavio, mergulham em documentos e processos, que revelam desde a adolescência até a vida de presidiário do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. O título da biografia não autorizada foi dado pelo próprio preso, quando, durante a sessão do processo de impeachment da então presidente Dilma Roussef, suplicou: “Que Deus tenha misericórdia dessa nação”.

“O massacre”, de Eric Nepomuceno

Com o objetivo de “soprar as brasas da memória para impedir que se tornem cinzas mortas”, o autor e jornalista Eric Nepomuceno, escreveu o livro “O massacre”. A obra relata a marcha pacífica do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra -, em 17 de abril de 1996, que tinha a intenção de reivindicar a situação trabalhista e as leis impostas sobre as terras já naquela época. A marcha, que acontecia no município de Eldorado do Carajás, no Pará, sofreu truculência desproporcional dos policiais, matando dezenove trabalhadores e deixando diversos feridos. O minucioso trabalho de Nepomuceno reúne diferentes episódios, relata os instantes de pânico vividos pelos trabalhadores e suas famílias durante a chacina, e trata também dos momentos posteriores ao ocorrido, como, por exemplo, os seguidos julgamentos cheios de decisões questionáveis, que, até o momento da publicação do livro, em 2019, não tinham garantido justiça às vítimas.

“Jornal da Tarde”, de Ferdinando Casagrande

Não dá para homenagear os profissionais de reportagem sem citar o “Jornal da Tarde”. A obra, que ganhou o Prêmio Amazon de Livro – Reportagem, conta a história do vespertino de São Paulo, nascido durante a ditadura militar, que, como lembra o autor e jornalista Ferdinando Casagrande, foi “uma ousadia que reinventou a imprensa brasileira”. Além de Mino Carta, idealizador do JT, também passaram pelo jornal mais criativo do país nomes como Marcos Fermann, Valdir Sanches, Murilo Felisberto, Renato Pompeu e outros.

“Rota 66”, de Caco Barcellos

Já consagrado pelo público e pela crítica, Rota 66 é um livro onde o autor investiga o esquadrão da morte que age na cidade de São Paulo, a Rota. A pesquisa, que durou cinco anos, revela a prática homicida do Estado e o incentivo da sociedade nesse tipo de ação. Já o livro “Abusado”, também do jornalista Caco Barcellos, se passa no Rio de Janeiro, através da história do Juliano VP e a ascensão do Comando Vermelho, principal facção criminosa do Estado.

“Tragédia em Mariana: A história do maior desastre ambiental do Brasil”, de Cristina Serra

O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em 2015, foi um dos episódios mais dramáticos da história do país. Este livro, considerado a reportagem definitiva sobre o acontecimento, revela os documentos, procedimentos e as condutas dos responsáveis pela tragédia, não se afastando da memória dos que morreram, da dor dos que ficaram, e a força que eles gostariam de ter para recomeçar. O rompimento de Fundão não acabou. É possível que jamais termine. Esta obra-prima explica por quê.

“Sobre lutas e lágrimas: Uma biografia de 2018”, de Mário Magalhães

Neste livro, o autor e premiado jornalista Mário Magalhães – autor de Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo – apresenta um compilado de acontecimentos do Brasil de 2018, necessários para entender a conjuntura atual do país. A narrativa, aborda a caçada irracional a macacos considerados transmissores da febre amarela, a intervenção militar no Rio de Janeiro, o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, a prisão de Lula, a paralisação dos caminhoneiros, o Dr. Bumbum, a ascensão da censura, a tragédia do feminicídio, a queda de Neymar na Copa, o delírio Ursal, o espectro do nazifascismo, o incêndio no Museu Nacional, a violência no processo das eleições, a facada em Bolsonaro, a ilusão do vira-voto, o triunfo da extrema direita, o “ninguém solta a mão de ninguém”…