“Somos a família que temos, agora”, Pedro Chagas Freitas

18/03/2020 375 visualizações

Matosinhos, Portugal. Março de 2020.

O mundo está a mudar. Ponto.
Fechados em casa, as ruas desertas, o medo no meio dos gestos, mesmo que camuflado. Estamos de regresso à base. Ao essencial.

Em quarentena há já vários dias, eremitas de um pânico intangível, somos agora todos iguais, como se o planeta nos quisesse despoluir do supérfluo. Estamos a reaprender a viver colectivamente, arrasados pela força de um vírus que exige distância mas que ironicamente está a aproximar-nos, a levar-nos ao encontro da simplicidade, de uma bondade incondicional.

Portugal, e o mundo, está a receber uma lição, a mais dolorosa das lições, a mais perversa das lições (porque mexe com o que de mais intocável tínhamos: a nossa organização social, aquilo que julgávamos ser), de humildade, sem fanfarronice, sem ostentação. Somos a família que temos, agora. E não deveria ser sempre assim?

Sabemos, hoje se não soubéssemos antes, que não há pessoas menores, que não há trabalhos menores. Somos todos dependentes uns dos outros, numa linha de produção incansável — e que deve também ser solidária. Eu preciso de todos; todos precisam de mim.

É hora, aqui como aí, de fazermos a nossa parte, de não defraudarmos quem espera de nós a empatia que esperamos do outro. Ser herói é ficar em casa.

Fique em casa. Pense nos que ama, mesmo nos que não ama. Leia um livro, faça amor, veja séries, escreva um romance, brinque com os seus filhos, invente jogos, pinte um quadro ou uma exposição inteira deles. Faça o que quiser. Mas por favor fique em casa.

 

Pedro Chagas Freitas é o jovem escritor português, autor do best-seller Prometo falhar (Verus Editora). Vive em Matosinhos, Portugal, onde é um fenômeno de vendas. Pedro conquista leitores por onde passa. Em sua página no Facebook publica textos inspirados e inspiradores.