Vidas secas, de Graciliano Ramos, chega à 140ª edição de cara nova

21/01/2019 3 visualizações

Depois de passar dois anos preso devido à sua militância política, o escritor Graciliano Ramos morou dois anos no Rio de Janeiro. Longe da família e precisando se reestruturar financeiramente, o jovem autor escreve um conto sobre a morte de uma cachorra chamada Baleia. O sucesso é tão grande que ele resolve transformar aquele excerto inicial num romance, que trata sobre retirantes, condição que ele próprio experimentou naquele momento, tendo que se dividir entre a casa de dois amigos que já moravam no Rio – José Lins do Rego e Rubem Braga. É neste momento atribulado da vida que o escritor alagoano escreve sua obra prima, que quase se chamou O mundo coberto de penas. Somente na etapa da revisão, quando o livro já estava pronto para rodar, que Graciliano risca a folha de rosto original e escreve com sua grafia elegante Vidas secas.

Lançado em 1938 e apresentado aqui em novo projeto gráfico, Vidas secas acompanha a trajetória da família de Fabiano, Sinha Vitória, os dois filhos do casal e a cachorra Baleia na fuga do sertão em busca de oportunidades. É o romance em que Graciliano alcança o máximo da expressão que vinha buscando em sua prosa: o que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro.

Publicado pela Record desde 1975, esta obra-prima da literatura brasileira se tornou o livro mais vendido da editora em 2018, com pouco mais de 1,8 milhões de cópias. A nova edição brochura marca a 140ª edição, um marco que poucos livros nacionais alcançaram. Em 2019, outras obras do autor ganham novo projeto gráfico, entre elas Angústia e Memórias do cárcere.

Também serão revisitados seus livros infantis. Grupo Editorial Record vai explorar a interação com outras linguagens em exposições e atividades educativas. Para celebrar os 80 anos de publicação de Vidas secas em 2018, a editora Record lançou uma versão para colecionador com capa dura e acabamento esmerado.

Graciliano Ramos nasceu em 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, em Alagoas. Entre 1914 e 1915, então no Rio de Janeiro, trabalhou como revisor nos jornais Correio da Manhã, A Tarde e O Século. Casou-se em 21 de outubro de 1915 com Maria Augusta de Barros, com quem tem quatro filhos. Em 1926, já viúvo, casou-se novamente, com Heloisa Medeiros. Em 1938, escreveu o livro que se tornaria sua obra-prima: Vidas secas, seu quarto e último romance, voltado para o drama social e geográfico de sua região ― melhor expressão de seu estilo, com ênfase regionalista. Em 30 de março de 1953, aos 61 anos, o Mestre Graça ― como era carinhosamente tratado ― faleceu na cidade do Rio de Janeiro.