A Casa do Livro recebe Stefano Volp, autor de Nunca vi a chuva (Ed. Galera), que agora lança Santo de casa pela editora Record, e Duda Costa, gerente editorial responsável por parte da produção da obra.
Durante a conversa, o autor conta sobre a influência da sua realidade na construção da forte narrativa de Santo da casa, e confessa que a obra surgiu inicialmente como uma carta direcionada à sua mãe: “Uma dor que é consequência do sistema patriarcal que a gente vive no Brasil e no mundo”.
Isso se reflete, segundo Duda, na voz de segunda pessoa escolhida pelo autor para conversar com os personagens, que apesar de não muito usual na literatura, faz sentido na narrativa, pois “é um livro que fala dos silêncios, dos interditos familiares”.
Também é abordado o processo experimental de escrita da obra: “Falando de processo criativo, [foi a] primeira vez que trabalhei sem muitas amarras”. Santo de casa é todo escrito em caixa baixa. Para Duda, isso vem de: “um desejo de desierarquizar o texto, de romper com essas estruturas de poder do patriarcado, de violência, em que você sobrepõe uma vontade acima de uma outra”.
“O padrão é que as letras tenham seus capitulares, então fugir do padrão é sempre muito trabalhoso, e esse livro é justamente sobre isso”, complementa Volp.
O resgate da ancestralidade e a importância da memória para a formação do “eu”, assim como os temas da masculinidade – ou da pluralidade dela – são bastante abordados ao longo das páginas, resgatando pensamentos de outros livros do autor, como Homens pretos (não) choram. Para Volp, a sua escrita tem como objetivo provocar um debate ao ser lida por outros, mas também proporcionar uma autorreflexão. “Escrevendo esse livro, eu aprendi a nomear várias dores que eu sentia”, diz Volp.
O episódio já está disponível no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=psRdkmr3_AY e no Spotify: https://open.spotify.com/episode/6YOb6vLLvxJs5mkc9coqnf