1988-os segredos da constituinte;
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“1988: Os segredos da Constituinte”, de Luiz Maklouf
Em 2017, completam-se 30 anos do início da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, que resultou na chamada Constituição Cidadã, marco formal da redemocratização brasileira. Desde então, o Brasil passou por dois processos de impeachment e quatro constituintes se tornaram presidentes da República: Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer. FH e Temer, este antes de assumir a presidência, no ano passado, deram depoimentos para o livro “1988: Segredos da Constituinte”, de Luiz Maklouf Carvalho, que reúne entrevistas dos principais personagens daqueles dois anos de trabalhos no Congresso. Lula não quis falar.
O autor ouviu 43 pessoas, entre elas o então presidente José Sarney e o seu ministro do Exército, o general Leônidas Pires Gonçalves; os ministros da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira e Maílson da Nóbrega; relatores como José Serra e Bernardo Cabral; líderes e vice-líderes; presidentes e vice-presidentes; juristas e assessores, além de lobistas, funcionários e constituintes como Roberto Jefferson, Heráclito Fortes e Sandra Cavalcanti.
“O ex-presidente José Sarney resolveu abrir o jogo sobre os vinte meses em que terçou armas com a Constituinte — metade do tempo acossado, a outra metade acossando. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, constituinte de escol, também falou sem papas na língua — ‘Quem me escolheu relator do regimento foi o dr. Ulysses, autoritariamente’ —, sem nenhuma condescendência com o amigo já falecido Mário Covas, líder do PMDB na Constituinte”, escreve o autor na apresentação do livro.
Ele conta que conseguiu arrancar alguns segredos guardados a sete chaves por anos. Como o dia em que Francisco Dornelles, atual vice-governador do Rio de Janeiro, apanhou literalmente do ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, por se recusar a votar no mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Dornelles revelou também que o jornalista Roberto Marinho, então presidente da Rede Globo de Televisão, fez pressão pelos cinco anos de mandato. Marinho também não gostava de Mario Covas. “Esse é comunista”, disse a Fernando Henrique Cardoso.
“Há novidades, também, em outra recorrente história da Constituinte: a derrama das concessões de rádios e televisões, pilotada pelo ministro Antônio Carlos Magalhães, em troca de votos que interessavam ao governo Sarney. Alguns deputados contarão que receberam concessões. Outros, que ajudaram o governo a dá-las. O “é dando que se recebe”, frase histórica do constituinte Roberto Cardoso Alves, o Robertão, carimbou para sempre a briga de foice no escuro daqueles tensos e intermináveis meses”, diz o autor.
As entrevistas exclusivas trazem à tona conchavos, traições, ameaças e resistência e contam a história dos vinte meses que agitaram a política brasileira. O livro chega às livrarias em julho, pela editora Record.
Leia trecho da apresentação feita pelo autor aqui.
SOBRE O AUTOR:
Luiz Maklouf Carvalho, jornalista e bacharel em Direito, nasceu em Belém, Pará, em 1953. Mora em São Paulo desde 1983. Tem dois Prêmios Jabuti de livro-reportagem por Mulheres que foram à luta armada e Já vi esse filme: reportagens e polêmicas sobre Lula e/ou o PT (1984-2005). É autor, também pela Editora Record, de João Santana: um marqueteiro no poder, e ainda de Cobras criadas: David Nasser e O Cruzeiro, O coronel rompe o silêncio e Contido a bala. Foi repórter, entre outros, do Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo, e das revistas piauí e Época. É repórter de O Estado de S. Paulo desde janeiro de 2016.
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