Neste Hermafroditas, o filósofo Michel Foucault lança luz sobre a história do tratamento judiciário do hermafroditismo, do início do século XVI até o final do século XIX.
Em 1978, Michel Foucault anunciou que dedicaria um volume de sua História da Sexualidade aos hermafroditas. Após mudanças em sua linha de pesquisa, o projeto foi abandonado, e o que ele deixou foi um manuscrito sem título, descoberto após sua morte, que deu origem a este Hermafroditas.
Nesta obra, Foucault registra a história do tratamento judicial de pessoas com características sexuais masculinas e femininas, do início do século XVI ao fim do século XIX, por meio da reconstrução de vida de Marie Marin Le Marcis, Anne Jean Baptiste Grandjean e Michel Anne Drouart.
Sua pesquisa destaca a transição de um sistema jurídico que atribuía um “sexo de escolha”, passível de modificação, para um sistema de “busca da verdade” que postulava a atribuição de um único sexo “verdadeiro” a cada indivíduo, cuja determinação caberia à ciência médica. Foucault também elabora, ao longo desse trabalho, a distinção crucial, tanto histórica quanto teórica, entre a anatomia do sexo e a sexualidade.
Obra excepcional e inédita, guardada nos arquivos de Michel Foucault depositados na Biblioteca Nacional da França (BNF), Hermafroditas trata de questões sobre corpo e identidade que seguem extremamente atuais e relevantes. Ao mesmo tempo sensível e provocador, este é um livro para quem busca compreender como a sociedade, ao longo dos anos, vem tentando definir – e limitar – aquilo que somos.