Afonso Borges
+3
Afonso Borges lança livro de contos pela Record
O escritor mineiro Afonso Borges fará sessão de autógrafos do livro "Olhos de Carvão" nos dias 19 de junho, no Mercado Distrital do Cruzeiro, em Belo Horizonte; no dia 20 de junho na Blooks de São Paulo; no dia 21 de junho na Blooks do Rio de Janeiro e no dia 22 de junho, no restaurante Carpe Diem, em Brasília. Todos a partir das 19h. Leia abaixo um dos contos da obra:
Cova rasa, o delegado e o 32 cano longo
Coca-Cola, pediu novamente. Seu João Meriti ordenou: manda buscar uma caixa lá em Valadares. Dia seguinte estava lá, uma caixa, aquela Coca de vidro, média. Poderia tomar uma por dia, só. Seu João Meriti, o Prefeito, queria tratar bem aquele menino de cidade, ali, na pequena Marilac. Sabe atirar? Vem cá aprender. Pegou o Smith Wesson 32 cano longo. O cabo de madrepérola tinha um rachado no alto, observou. Apontou para umas garrafas lá no fim do pátio. Disparou cinco vezes.
O clima na redação era o pior possível. Ameaça de greve, Honório nervoso, trançando de lá para cá, na maioria das vezes gritando. Passos largos, atravessava a redação em segundos. Todos fomos para a reunião de pauta, a do meio-dia.
O Delegado tinha ligado para o dono do jornal. Queria o Antonio fora do jornal. Honório mediou, dizendo que ia tirar ele daquela reportagem.
Detestou fazer aquilo, mas era isso ou rua. Seu João Meriti passou o 32SW para o menino. O último tiro é seu. Vai. O cano longo é mais difícil de mirar, mas, mesmo assim, disparou, atingindo nada. Tomou o coice, quase deixou o bruto cair. Seu João deu uma longa gargalhada e vaticinou: você não sai daqui sem acertar aquela garrafa de Coca. Coração acelerado, aos pulos, o menino gaguejou. O pulso doía. Pensou o quanto estava longe de casa. E foi andar de cavalo. Delegado mentiroso de merda! Forjou o flagrante no filho do Deputado, colocou três papelotes de cocaína no carro, fichou o rapaz. Vai dar artigo doze, quatro a seis anos de jaula, pensou Honório. Na reunião, foi logo dizendo: Antonio, você vai para a Editoria de Cidade. Tá fora do caso. Quem mandou invadir a sala do Secretário de Segurança Pública, e pedir satisfação com gravador ligado? O cara ficou furioso, ligou pro Governador. É isso, ou rua. Decide.
Fim de tarde, noite chegando, juntou três jagunços, selaram cavalos e foram passear. Escureceu de repente. No final de uma curva, mata fechada, um
brilho mínimo. Seu João parou, deu uma empinada no cavalo, voltou, pegou o menino pela cacunda e o jogou violentamente uns dois metros para o lado, no meio do mato. Fica quieto aí. Foi a conta de falar e o tiroteio começou. Emboscada. No escuro, tiro parece fogo de artifício. O revólver brilha. Durou uma eternidade.
Foi para a Editoria de Cidade cobrir acidente de trânsito. O Delegado mentiroso hoje, trinta anos depois, é deputado. Antonio virou escritor, ficou aqueles dez anos na redação, trabalhou em assessoria do Estado, casou, teve três filhas. Tem vários livros publicados, mas ganha dinheiro só com os infanto-juvenis. Os adultos não vendem nada. Agradece, de vez em quando, ao Delegado mentiroso. Começou a escrever ficção ali, no meio da verdade.
Parou o tiroteio. Seu João Meriti gritou, apreensivo:
Menino! Ele saiu da moita e viu os jagunços pegando
os corpos dos pistoleiros. Eram dois, estavam em cima
da árvore, de tocaia. Com um pedaço de pau, abriram
cova rasa. Os corpos ali, pouca terra por cima. Você
não sai daqui sem acertar aquela garrafa de Coca,
repetiu Seu João, no escuro.
Artigos Relacionados
Quem somos
Nós somos um dos maiores conglomerados editoriais da América Latina e com o maior catálogo no segmento dos não-didáticos, o Grupo Editorial Record tem atualmente cerca de seis mil títulos.
Saiba MaisLivros em alta
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
