Alberto Carlos Almeida
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Autor de "O voto do brasileiro" analisa ascensão de Bolsonaro
O cientista político Alberto Carlos Almeida identificou um padrão de votação no Brasil a partir de 2006 que está expresso no livro O voto do brasileiro. Além de associar o bom desempenho do PT a municípios de menor índice de desenvolvimento humano, especialmente no Nordeste, e do PSDB a cidades de melhores índices de desenvolvimento humano, o autor antevia, no livro publicado em abril de2018, um cenário batizado de “premissa da renovação”: “A combinação entre recessão aguda e escândalos de corrupção, os piores índices da história brasileira, ao colocar no nível mais baixo a credibilidade dos políticos, deslocará PT e/ou PSDB da disputa presidencial”. Para que a previsão se concretizasse, seria preciso romper a cidadela do Nordeste, no caso petista, ou de São Paulo, no caso tucano. E foi o que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, conseguiu, rompendo uma sequência de três pleitos seguidos, desde 2006, em que candidatos do partido à presidência lideravam a intenção de votos em São Paulo. “Analisando o resultado do primeiro turno, podemos dizer que o argumento impessoal do livro permanece. A distribuição de votos permanece bem semelhante, com o Bolsonaro ocupando o espaço que seria do PSDB”, afirma Alberto Carlos Almeida.
Para o autor, tirando a questão circunstancial do ataque sofrido por Jair Bolsonaro, o impeachment de 2016 foi um grande personagem desta eleição, pois, ao colocar o PT e Lula novamente no papel de oposição, reverteu os baixos índices de avaliação do partido. Passado o afastamento, esclarece Almeida, a avaliação dos dois começa a melhorar. Soma-se a isto as baixas avaliações das gestões do PSDB no Estado e na prefeitura com Geraldo Alckmin alcançando 36% de ótimo e bom e o prefeito João Dória não superando os 26%. “Portanto, em São Paulo, você vê o eleitor anti-petista dividido. Ele não vota no PT de jeito nenhum, sempre votou no PSDB, mas o PSDB foi mal, então procurar um que seja anti-PT para o representar e encontraram o Bolsonaro”, analisa.
Uma novidade que ainda merece análise mais atenta é o peso do voto das mulheres em reação ao discurso machista de Bolsonaro. “Não dá para dizer se veio para ficar, mas, nesta eleição, contribuiu para mudar o perfil dos eleitores do PT que sempre teve uma predominância do voto masculino”, acrescenta Almeida.
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