A monja e o professor
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Cinco conceitos filosóficos que aprendi com "A monja e o professor"
De um encontro entre a Monja Coen e o professor Clóvis de Barros Filho não poderíamos esperar menos do que muita reflexão e um diálogo inspirador. No livro “A monja e o professor”, que chega às livrarias em setembro pela BestSeller, essas duas personalidades tão diferentes se unem para refletir sobre felicidade, autoconhecimento, ética e uma série de questões sociais e filosóficas. Além disso, a gente conhece um pouco mais sobre o budismo e alguns conceitos bem interessantes da filosofia ocidental.
Monja Coen, da linha zen-budista, ficou conhecida nacionalmente quando vídeos de seus ensinamentos foram compartilhados no YouTube, no canal Mova: Vídeos que Movem o Mundo. Ela conta no livro que, antes de ser ordenada monja em 1981, viveu diversas experiências, entre elas ser mãe e trabalhar como jornalista. Ela passou 12 anos no Japão, imersa em práticas monásticas, e atualmente ensina sobre meditação da Ordem Soto Zen Shu, além de fazer palestras por todo o Brasil.
Professor há 30 anos, Clóvis de Barros Filho se formou em jornalismo, direito e fez pós-graduação, também em direito, na Universidade de Paris. Apaixonado pelo ofício, Clóvis também ficou conhecido nacionalmente após ter suas aulas compartilhadas no YouTube e fez ainda mais sucesso após uma entrevista inesquecível para o Programa do Jô, então exibido pela TV Globo. Atualmente ele é professor da USP e faz palestras, como a Monja Coen, por todo o país.
O livro me tocou profundamente e eu gostaria de compartilhar 5 conceitos que podem ser levados não só como reflexão para o seu dia, mas para a vida toda:
1 - Clóvis de Barros Filho e o conceito de “dimensão suicidária”:
Segundo ele, quando se vive uma vida sem a expectativa de aperfeiçoamento, fazendo tudo sempre mais ou menos do mesmo jeito, a vida fica “meio sem graça mesmo”. O desafio da superação, tendo a felicidade como prêmio máximo, nos mostra que cada instante é valioso por ser uma oportunidade. Mas se você vive esperando o tempo passar logo, a vida vai ser entediante mesmo.
“É curioso, porque, como a vida acontece naquele instante, na hora em que você quer que o tempo passe logo, existe aí uma dimensão de querer que aquela vida acabe, o que alguns poderiam chamar de “dimensão suicidária”. Quer dizer, se a única vida que temos para viver é esta aqui, entre nós, (...) e se eu quero que este momento acabe, então estou de certa maneira me indispondo com a vida que estou vivendo, estou negando a vida que estou vivendo, o que implica uma postura muito próxima de quem toma a decisão de abreviar a própria existência”.
2 - Monja Coen e o conceito do “Trans-ser”:
“Uma pessoa entra no universo da outra e a transforma, enquanto é transformada também pelo universo onde entrou. Ambos se transformam, mas não perdem a individualidade”.
3- O professor explica a diferença entre “desejo” e “vontade”, e como a ética se relaciona com este último:
“Desejo é a natureza do homem, é o apetite, é a inclinação, é o corpo que fala com suas carências. Vontade é tudo isso crivado pela inteligência, razão, lucidez. Portanto, a ética conta com a vontade para condicionar a aceitabilidade do desejo, ou seja, para definir no meio de tudo o que são nossas pulsões, aquilo que podemos aceitar e aquilo que não podemos aceitar”.
4 - Monja Coen nos ensina sobre meditação:
“Meditar é ir além do eu, além até mesmo da atenção plena. É penetrar em profundidade na essência da mente e tomar decisões benéficas para todos os seres, pois há identificação com todos”.
5 - Clóvis define a esperança e o temor:
“A esperança é ganho de potência em cima de uma expectativa de vida que você não vive; e o temor, queda de potência em cima de um conteúdo de consciência que você não vive. No momento em que você tem um alinhamento de corpo e alma, não há condição para haver temor e esperança, tampouco nostalgia, com todas as suas corruptelas, como arrependimento, rancor, saudade. A experiência plena vivida no instante não autoriza nenhum escape, nenhum passado, nenhuma lembrança, nenhuma nostalgia. Nenhum futuro, projeção do devir e esperança”.
Boa leitura! “Mãos em prece”
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