Aos 30, depois de esgotar todas as dietas e procedimentos já inventados, eu resolvi tentar uma coisa inédita: me aceitar. Afinal, eu já tinha tentado de tudo, e por mais peso que eu perdesse, por mais que eu me controlasse e me torturasse, uma coisa nunca mudou: eu continuava me odiando.
Foi nessa fase que encontrei o canal da Alexandra Gurgel no Youtube. A Xanda passou por muita coisa antes de conseguir se aceitar, e as dicas que ela dá no canal, e que estão no livro "Pare de se odiar", são valiosíssimas. Se você é mulher e se identificou com meu relato, se está pronta para parar de se odiar, se liga nessas dicas:
- PARE DE SE COMPARAR COM OUTRAS MULHERES
Cada pessoa tem um corpo e cada corpo tem uma história diferente. A nossa sociedade encoraja muito a competição entre as mulheres, e desde cedo somos incentivadas a olhar para a outra e desejar o que ela tem. Ninguém nos ensina a olhar para nós mesmas, e para aquilo que temos de positivo. O que você gosta em você? Quais habilidades e características são suas e são fontes de orgulho para você? Olhe mais para dentro e menos para fora.
- PARE DE SEGUIR MUSAS FITNESS NO INSTAGRAM
Você é paga para malhar o dia inteiro e falar de suplementos nutricionais? Imagino que não. Imagino que sua vida seja bastante diferente da vida das blogueiras fitness, e não é à toa que seu corpo também seja diferente do delas. O problema é que onde quer que você olhe, desde campanhas publicitárias, a filmes, desfiles e até seu feed no Instagram, você verá mais corpos “perfeitos” do que corpos que pareçam com o seu. E isso acaba gerando uma insatisfação enorme consigo mesma. Então, troca o suco detox pelo feed detox, e pare de seguir contas que só servem para te fazer se sentir inadequada.
- MUDE O SEU OLHAR
Essa pra mim é a dica de ouro. Lembra quando você odiava calça cintura alta e do nada começou a ver um monte de gente usando calça de cintura alta e de repente tudo que você mais queria era ter uma também? A beleza é um conceito estranho, porque a gente só é capaz de achar algo bonito quando somos expostos aquilo em certo grau. Na idade média, o padrão de beleza era ser gorda e corpos voluptuosos eram celebrados nas obras de arte daquele período. Mas hoje em dia, o considerado “bonito” é ter uma barriga negativa e pernas tão finas que as coxas nem se tocam, mesmo lado a lado. Esse é o padrão em que estamos inseridos e você não vai acordar e achar suas coxas bonitas sem antes fazer um trabalho consciente de treinar seu olhar. Comece a seguir modelos plus-size, como a @fluvialacerda , a @ashleygraham , a @tessholliday . São mulheres estonteantes de lindas e com corpos que fogem completamente do padrão. Quanto mais você treinar seu olhar, mais encontrará a beleza fora do padrão.
- A SOCIEDADE NÃO QUER QUE VOCÊ SE ACEITE
Para cada uma das suas inseguranças, tem alguém ganhando dinheiro com um produto mágico para consertá-las. Barriga protuberante? Cinta modeladora. Quilos a mais? Plano de academia. Olheiras escuras? Tônico clareador. Apetite desenfreado? Remédios controlados. Seios pequenos? Prótese de silicone. Gordura localizada? Lipo. Seu corpo se tornou um produto, e o dia que você se sentir a vontade com ele, muitos segmentos especializados em “estética” vão perder dinheiro. Será que suas inseguranças vêm mesmo de você, ou será que você está sendo condicionada a se odiar?
- AUTOESTIMA É UM PROCESSO DIÁRIO E NÃO TEM LINHA DE CHEGADA
O maior erro das pessoas que estão tentando se amar é achar que o amor próprio é um estágio que um dia você irá alcançar e nunca mais se sentirá mal consigo mesma. Gente, autoestima é uma luta diária. Terão dias que você sairá de casa de crop-top, diva, se amando com cada uma das suas imperfeições maravilhosas e terão outros em que alguma coisa, uma foto ruim, uma calça que não serve mais, alguma coisa irá trazer de volta a insegurança. A primeira coisa é não entrar em pânico, não quer dizer que você perdeu todo o progresso alcançado. Tá tudo bem não estar bem o tempo todo. Mas como diria a Xanda, tá se sentindo feia? Vai feia mesmo, só não deixa de ir. A vida acontece o tempo todo, não só nos dias em que estamos nos sentindo a Beyoncé. O importante não é como o seu braço fica nessa blusa, e sim as pessoas que te amam, o trabalho que te espera, as conquistas e risadas pelo caminho.
É isso, gente! Boa sorte na caminhada do #amorpróprio e não deixe de ler Pare de se odiar.










