Pular para o conteúdo
artes cenicas +8

"Ivana Chubbuck me ensinou o empoderamento através da arte"

26/06/2025
||

Por Bruna Fachetti*

"Conheci Ivana Chubbuck em 2011, quando entrei em contato com ela por e-mail, interessada em trazer O poder do ator para o Brasil. Para minha surpresa, ela respondeu imediatamente, receptiva. A partir dali, iniciamos uma troca constante de mensagens, que culminou, em 2012, com minha vinda a Los Angeles para conhecê-la pessoalmente e assistir a uma aula em seu estúdio. Naquela altura, eu já havia participado de um workshop por uma de suas professoras de Nova York — e já me sentia profundamente tocada por sua abordagem. O que, desde o início, mais me chama a atenção na Técnica Chubbuck é a maneira clara e estruturada com que propõe a análise de um roteiro em doze etapas. Pela primeira vez, entendi exatamente os passos que eu, enquanto atriz, precisava percorrer ao receber um texto. Diferentemente de outras metodologias que eu já havia estudado, essa técnica me ofereceu um caminho prático, acessível e emocionalmente verdadeiro. Ela me ajudou a resolver uma dor antiga: a dificuldade de me colocar, de forma profunda e sem julgamentos, no lugar da personagem. Antes de conhecer esse método, eu me via frequentemente tentando reproduzir atuações que via na televisão, sem realmente compreender o processo por trás delas. Por mais cursos que fizesse, sentia que algo ainda não funcionava. Eu lia um roteiro e, se a personagem fosse distante da minha realidade, travava. Sentia-me insegura, desconectada. O poder do ator mudou isso completamente. O livro me deu um ponto de partida claro e a uma estrutura que, ao mesmo tempo que é técnica, me conduz para um mergulho profundo na natureza humana.  width=O trabalho de Ivana também me apresentou o conceito de empoderamento através das artes. Isso teve um impacto imenso não só na minha carreira, mas na minha vida. A técnica me levou a refletir sobre meus próprios padrões comportamentais, sobre as formas como eu, muitas vezes, me colocava em situações de rejeição ou me sabotava por medo de não agradar. Lembro de mim ainda criança, incapaz de dizer “não” até para um vendedor de loja, com medo de parecer indelicada ou errada. Esse desejo constante de aceitação me acompanhou por anos — e foi me afastando, pouco a pouco, de mim mesma. Estudar a Técnica Chubbuck foi o primeiro passo para um entendimento maior das minhas necessidades e da forma como todos nós operamos na vida. A técnica não só se baseia no comportamento humano, mas no comportamento humano de “pessoas dinâmicas”, ou seja, aquelas que têm sucesso por conta da sua postura vencedora diante da vida, apesar de todas as dificuldades. Essas pessoas alimentam seu desejo de superação tendo como combustível aquilo que, de outro modo, as destruiria. Estudar e aplicar a Técnica Chubbuck me ajudou a reconhecer e acolher minhas falhas, a deixar de vê-las como fraquezas e começar a usá-las como matéria-prima para criar. Em vez de me sentar na dor e chorar, passei a ter um lugar para organizar os sentimentos complexos e criar a partir deles, canalizando-os em direção à superação. Como artista, isso se traduziu em mais autenticidade, mais verdade e mais potência. Como ser humano, significou não me sentir mais vítima das circunstâncias, mas agente da minha própria história. Foi com esse espírito que iniciei a tradução do livro de Ivana Chubbuck para o português e busquei uma editora que acreditasse no potencial dessa obra no Brasil. A Editora Civilização Brasileira abraçou o projeto e, felizmente, o livro encontrou seu espaço — agora relançado em nova edição, revista e ampliada, para continuar tocando e transformando artistas e leitores brasileiros. Trabalhar com Ivana e me tornar professora certificada da Técnica Chubbuck foi um divisor de águas. A técnica não é uma terapia, mas é transformadora, pois toca em pontos profundamente humanos — essenciais para qualquer ator comprometido com a verdade do seu trabalho. Meu desejo é que O poder do ator continue alcançando artistas e interessados no poder transformador da arte. Que provoque reflexões, levante questões e sirva como instrumento de evolução não apenas no trabalho artístico, mas também pessoal. Porque tudo isso está inevitavelmente relacionado". * Bruna Fachetti é atriz e professora certificada pela Técnica Chubbuck, cotradutora de O poder do autor. Atualmente mora em Los Angeles, trabalhando diretamente com Ivana Chubbuck.