Leia o bate-papo entre o mestre Stephen King e a escritora Karen Russell, de "Doadores de sono"
23/09/2016
Livros assustadores: aqueles contos irresistíveis que nos mantêm acordados até muito depois da meia-noite com todas as luzes do quarto acesas. Alguns de nós somos viciados. Este mês, o Goodreads reúne dois romancistas — um deles o mestre do terror — para conversarem sobre trabalho. O singular Stephen King dispensa apresentações: o autor de mais de 50 títulos já deixou tudo, da menstruação a velhinhas fofas, completamente apavorante. A escritora Karen Russell é mais recente no cenário do espanto, mas sua novela recém-lançada, Doadores de sono, vem chamando atenção pelo fator-arrepio. Uma epidemia de insônia assola a população que está, literalmente, morrendo de falta de sono, um estado crônico que pode ser curado muito raramente com a doação do sono puro de um dorminhoco saudável. King e Russell discutem suas obras, suas fontes de inspiração… e como costumam mentir sobre suas fontes de inspiração.
Russell abre o bate-papo com uma pergunta sobre Doutor Sono, a recente continuação de O Iluminado escrita por King e que traz de volta Danny Torrance que, quando criança (spoiler!), sobreviveu de forma memorável à violenta crise nervosa do pai num Hotel Overlook isolado do mundo por uma nevasca, apesar do pavor de descobrir que é “iluminado”, possuidor de habilidades telepáticas que incluem leitura de mentes e precognição. Já adulto em Doutor Sono, Danny é um alcoólatra em recuperação que passa a servir de mentor para Abra Stone, uma menina com dons parecidos aos seus, que é alvo do Verdadeiro Nó, de um grupo assassino que tortura crianças para se alimentar do “vapor” de seus poderes paranormais.
Karen Russell: Eu amei Doutor Sono, especialmente o relacionamento que acaba evoluindo entre Danny e Abra. Para mim, um dos grandes fios-condutores da história foi a tensão entre a dependência de substâncias (bebida, vapor) vs. a dependência sobre outras pessoas. Você acha que, adulta, Abra vai ter o seu próprio mentorado? Para você, quais são as principais armadilhas que ela terá pela frente?
Stephen King: Dan Torrance cita uma velha máxima dos Alcoólicos Anônimos quando pensa em seu relacionamento passado de mentor/mentorado com Dick Hallorann [o chef do Hotel Overlook que ensinou o jovem Danny sobre a sua “iluminação” em O Iluminado] e o atual com Abra Stone: "Quando o aluno estiver pronto, o mestre surgirá." De início, para quem pende mais para o estritamente racional, isso pode soar cármico e místico, até mesmo coisa de hippie, até você acrescentar a isso o fato de que muitos alunos se fazem prontos. Nesse caso, a meu ver, haverá mestres por todos os lados. (É meio parecido com a síndrome do utilitário azul: quando você compra um, vê utilitários azuis por todos os lados.) O livro sugere que Abra, assim como Dan, como o pai de Dan e o avô de Dan — na verdade, assim como a própria mãe dela — são viciados em raiva, e perto do final do livro, Dan sugere que quando ela se sentir assim, deve ir ao lixão mais próximo e sair quebrando coisas. Acho que ele talvez tenha aprendido alguma lição, pois fazer isso é colocar para fora em vez de para dentro (ex.: trancar as coisas em cofres) [Dick ensinou Dan a manter os seus fantasmas afastados colocando-os em “cofres”]. A experiência ensina, no entanto, que quem possui questões não resolvidas — tais como fantasmas, segundo [o professor de sociologia da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara] Avery Gordon — tende ao abuso de substâncias como forma de lidar com o problema. Dessa forma, sim, a Abra é o próprio vício anunciado. Mas isso não é certeza. Muita gente consegue evitar ou superar o vício.
Ao mencionarmos as questões de dependência presentes em Doutor Sono — bebida (real) vs. vapor (faz-de-conta) — mexemos com um aspecto da escrita de ficção que me fascina, que é como uma história é, de fato, construída. A pergunta que [o senador] Howard Baker ficava martelando durante as audiências de Watergate era: “Quanto ele sabia e quando soube?” É sempre uma curiosidade que tenho quando converso com outros escritores sobre o seu trabalho (o que acabará por nos conduzir à pergunta que se encontra mais abaixo).
No meu caso, a resposta para "quanto ele sabia?" é quase nada. Começo um livro como Doutor Sono sabendo apenas duas coisas: a situação básica e que a história criará um desenho natural e orgânico se eu a seguir de forma justa.... e quando digo de forma justa falo de nunca forçar os personagens a fazerem algo que não fariam na vida real. Na vida real, as coisas frequentemente acontecem de maneira acidental. Em romances e histórias, o acaso é de certa forma eliminado porque Deus existe e Ele ou Ela é a pessoa que cria os eventos sem necessariamente guiá-los. Para mim, o primeiro rascunho tem tudo a ver com a história. Acredito que alguma outra parte de mim — uma submente — criará determinados desenhos.
No que diz respeito à outra pergunta de Baker, “quando ele soube”, a resposta é depois que a história foi escrita. Quando a releio (depois de deixá-la descansar e crescer como uma boa massa de pão com fermento), normalmente percebo os desenhos e consigo consertar os trechos onde parecem pegar o rumo errado ou desaparecer por completo. Dan depende da bebida; o Nó Verdadeiro depende do vapor. Ambos abusam substâncias. Ótimo, eis o desenho… que os professores de inglês chamam de — tchã-rã!! — tema. Será que a raiva também é uma questão de abuso? Nossa pesquisa diz que sim. Então eu quero transformar isso no calcanhar de Aquiles de Abra e de Rose, a Cartola. Será que os viciados negam o(s) problema(s) de forma a manterem o vício? Nossa pesquisa também responde que sim nesse aspecto. Eles praticam a denegação consigo e com os outros. Por isso os cofres. Mas essa coisa toda de desenhos e de temas não serve de nada se você a atirar em cima da cabeça do leitor como uma pedra. Ela deve ser o músculo central do livro, não pode ser simplesmente injetada feito um esteroide numa vaca. O grande editor de cinema Paul Hirsch (de Guerra nas Estrelas, Carrie, a estranha e uns outros 70 ou 80 filmes) costumava dizer: “Tem de estar ali, no copião.” O desenho básico de uma história ou de um romance tem de estar lá na primeira versão. A história cria o tema; o tema sugere determinados acontecimentos; os acontecimentos se tornam parte da história. E, assim, a coisa vai dando voltas e mais voltas.
Stephen King: Doadores de sono é desenvolvida com uma beleza artesanal. Ainda vamos chegar à linguagem que você usou, mas o que realmente me impressionou foi a facilidade com a qual reuniu várias ideias de alta-voltagem. Em primeiríssimo lugar, temos a culpa do sobrevivente; um dos integrantes da equipe de doações de sono [o Corpo do Sono organiza doações de sono de gente saudável para os doentes, parecidas com os bancos de sangue de hoje] é um mau recrutador; ele “transforma o pedido num jogo de coerção”. Trish, por outro lado, é ótima porque a irmã, Dori, morreu de insônia e Trish agora a usa como ferramenta de recrutamento. Em vez disso amenizar a sua culpa, a intensifica.
O grande segundo lugar é a moralidade da doação forçada. Na sua história, uma vida (a da Bebê A [que, segundo é descoberto, é uma doadora universal de sono]) sofre interferências constantes de maneira a salvar várias outras. Isso parece aceitável, embora se trate de um enigma ético, não é mesmo? Com a autorização dos pais (o pai é relutante, a mãe é meio fanática), o pessoal da Van do Sono quase que literalmente explora um bebê como uma mina para extrair o seu sono normal.
O grande terceiro lugar é o subtexto, no qual a propagação de uma doença causada pela privação do sono, começando com o Paciente Zero, lembra a propagação da AIDS. Além disso, temos o temor de que o fornecimento de “sono bom” tenha sido contaminado pelo pesadelo maligno e recorrente do Doador Y. Tudo isso é administrado com um toque leve, porém certeiro. Assim, eis a minha pergunta: Quantas dessas coisas borbulhavam na sua cabeça quando você se sentou para escrever e quantas ocorreram naturalmente? Posto de outra forma: qual foi o tamanho da sua surpresa e deleite quando se deu conta do que tinha no final da linha de pesca? Porque você fisgou um peixão.
Karen Russell: Eu adorei a sua descrição da “submente”. E a pergunta Watergate! Ela também sempre me deixa curiosa. E me sinto muito tranquilizada pela sua resposta. Acho que existe uma tentação real em se dizer: “Eu tinha tudo esquematizado dentro da cabeça, em fichas pautadas coloridas e em notas de rodapé com referências a Schopenhauer e Kant. Mas é claro que isso seria mentira. Na verdade, quando você me escreveu, eu estava no meio de um artigo científico sobre a impressionante e reflexiva tendência da mente em construir uma narrativa para explicar os próprios atos depois de cometidos: é “a confabulação post-hoc”. E, rapaz, como eu sou suscetível à tentação dessa “confabulação post-hoc” quando o assunto é a escrita. Quando dou entrevistas, às vezes me pego inventando contos sobre como determinadas histórias tiveram origem. Assim, eu acho que deveria dizer logo de cara que talvez seja a narradora menos confiável para contar como Doadores de sono foi escrita.
Eis do que me lembro: eu havia concordado em escrever um artigo curto sobre “invenções imaginárias” para a The New Yorker. Bolei um monte delas e a ideia da Van do Sono acabou sendo eliminada. (Nessa época, eu andava com os olhos vermelhos, enlouquecida, viajando para promover um livro e tendo muita dificuldade para dormir em hotéis estranhos.) Então me diverti, de uma forma meio sombria, imaginando uma organização análoga à Cruz Vermelha Americana reagindo a uma crise de insônia. Decidi que num universo como esse, a Suprema Corte julgaria que bebês poderiam ser doadores de sono.
De início eu pensei: muito bem, vou escrever uma vinheta de três mil palavras sobre a “doação de sono." Mas, aí, me interessei pelos personagens: Trish, Sr. Harkonnen e Dori eram, para mim, pessoas de verdade. O Doador Y e a Bebê A se tornaram coordenadas morais para Trish, dois polos que me ajudaram a organizar as seções da novela e as suas questões emocionais, embora eu também quisesse estabelecer a Bebê A como a filha de carne e osso de um casal humano. Eu nunca pensei em Doadores de sono como uma alegoria tradicional. Não acredito que haja uma correspondência um para um entre esse contágio fictício de pesadelos e qualquer questão, ideia ou drama contemporâneo único. Não acho que haja uma moral objetiva ou extraível aqui, apenas um conjunto de perguntas. Mas eu acho, sim, que Trish tem uma forte tendência a querer alegorizar a sua própria experiência da crise.
De certa forma, trata-se de uma história de terror à moda antiga. Os Harkonnens assistem à violenta tradução da filha num serviço, nas suas utilidades, nas suas partes. Faz sentido para mim que Trish, que moldou a própria dor numa ferramenta, se identifique tanto com essa recruta em especial. Eu nunca havia tentado produzir uma história como essa, na qual “questões insolúveis” se apresentam de forma tão explícita em primeiro plano, na qual o mundo todo vive um pesadelo em progresso. No que diz respeito ao tom, eu quis deixar claro que estava zombando da literatura distópica ao mesmo tempo em que levava a sério o desafio emocional enfrentado por Trish e pelos Harkonnens. Em vários momentos do meu primeiro rascunho, eu comecei a enxergar a constelação dos meus referentes no mundo real: doação de órgãos e de sangue, eutanásia, vício e recuperação, economia de oferta e dívida, a crise da AIDS, a porosidade das fronteiras na nossa era da globalização, a internet e a amplificação viral de “conteúdo”, ideias e propagandas, cultura do consumo e o estímulo ininterrupto dos nossos apetites, sigilo e transparência na era do “Terror”, o misterioso poder viral da narração em si... Realmente, começou a me lembrar Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas.
Stephen King: Quando me perguntam de onde vêm as histórias, eu sempre me pego mentindo. Não consigo evitar porque não posso dar uma resposta racional e isso me desconcerta. Talvez não devesse, talvez isso remeta às reprimendas dos adultos quando eu era pequeno de que “todo esse faz-de-conta não vai levá-lo a lugar algum, Stevie”, mas é o que sinto. Além disso, droga, é nisto que eu sou bom: em mentir para as plateias. É o meu modo default.
E tem outra coisa — já, já eu chego à minha pergunta —, o fato de que um personagem pode simplesmente entrar em cena e assumir o comando da história. Estou com um livro para ser lançado no ano que vem, Mr. Mercedes, que contém um personagem, uma neurótica de seus quarenta e poucos anos chamada Holly, que deveria simplesmente ter entrado e saído da história. Em vez disso, acabou se tornando o meu personagem preferido e o personagem dominante do romance. Quero enfatizar para qualquer um que esteja lendo isto (a sua resposta e o conjunto da sua obra deixam claro que você já sabe) que os escritores têm de permitir que isso aconteça. Foi Alfred Bester (Estrelas o meu destino, O Homem Demolido) quem colocou da melhor forma: “O livro é o chefe”.
OK, vamos à pergunta. Ao que parece, temos aqui três acordes principais. Dois se relacionam ao gênero literário. É óbvio que você se sente extremamente cômoda com dados científicas e escreve tudo de maneira muito clara — a estrutura subjacente é completamente crível. Assim, de certa forma, Doadores de sono é ficção científica hard e teria se encaixado perfeitamente no velho gênero de Fantasia e Ficção Científica (e provavelmente ganhado um maldito Hugo). Você fala de orexinas, os que se encontram 100% privados de sono, de neuropeptídeos, de um velho Lakota que é dono de um sono puro, tudo com igual facilidade e clareza. Entretanto, a história também possui elementos de terror. Temos a horripilante morte de Dori e o inexpressável pesadelo do Doador Y (que me fez ter pesadelos, e olhe que sou duro na queda). Também temos a Ala Sete. Apavorante! E, por último, temos um terceiro acorde, e é a partir dele que a história simplesmente decola e voa com asas livres de qualquer gênero literário. Falo do Mundo Noturno, dono de uma beleza onírica ao mesmo tempo em que é ameaçador e desajustado. O que eu quero saber (ou pelo menos ouvi-la dizer) é quanto você já leu dos mais diversos gêneros literários; quanta ficção-científica, fantasia e terror — Os Zumbis da Insônia!!! — serve de alicerce para o seu trabalho. Há, certamente, muito de fantasia nos seus contos e Swamplandia! poderia ser considerado realismo mágico com toda a legitimidade (ou pelo menos assim me parece), de maneira que, eu suponho, essa talvez seja apenas a forma do seu cérebro funcionar. Mas eu adoraria ouvir a sua opinião sobre escrita e gênero literário e sobre como mescla isso com a ficção dominante. Espero que isso tenha feito um mínimo de sentido.
Karen Russell: Eu fico muito satisfeita com a sua pergunta, que me dá abertura para lhe agradecer. Os seus livros eram os mundos nos quais eu vivia (e morria) de verdade quando estava crescendo, em Miami. As minhas viagens por cenários como Derry, Salem e Desperation me davam uma sensação um milhão de vezes mais vibrante e transformadora do que as idas a lugares “reais” como o Dadeland Mall. Fico muito feliz em saber que Mr. Mercedes está para a sair.
A sua obra continua a ter uma enorme influência sobre mim. Eu lia onivoramente quando era criança e, no entanto, sempre constatava que o meu gosto tendia para as obras mais esquisitas: fabulistas como Calvino e Kafka e mágico-realistas como Cortázar e Márquez. Eu amava os Irmãos Grimm e Metamorfoses de Ovídio. Quando comecei a escrever as minhas próprias histórias, acho que busquei naturalmente fundir elementos sobrenaturais com a realidade do dia-a-dia porque, como leitora, meus mundos preferidos operavam nessa espécie de espaço crepuscular.
De vez em quando, eu acho que esse meu pendor para as obras de realismo-mágico tem raízes geográficas — se algum dia ele existiu, a minha casa no sul da Flórida era um ambiente slipstream*, um lugar onde as marés sempre, literalmente, revisavam o litoral e onde o milagroso e o mundano, o grotesco e o cômico, pareciam ocorrer com o mesmo registro trivial e corriqueiro.
Você me perguntou sobre a literatura de um gênero específico vs. ficção convencional — eu acho que quando era pequena, eu era tão ingênua com relação a essas diferenças que lia Jane Eyre e O Úlitmo Unicórnio e, aos meus olhos, ambos eram obras-primas. A poesia pode existir em todos os tipos de universos imaginários, tanto em Detroit quanto no Oriente Médio. Até muito recentemente, eu nunca tinha parado para pensar sobre tradição ou gênero literário quando me sentava para escrever; eu, simplesmente, escrevia. E acabou que, de maneira a inventar um mundo onde eu podia ser sincera, onde eu podia “fazer uma coisa viver”, como diz O'Connor, eu me vi induzida a fazer determinadas alterações na natureza, talvez para me proporcionar a liberdade de imaginar o caminho a ser tomado até o mundo que habitava aquela página.
É engraçado você mencionar gêneros literários específicos, pois Sleep Donation deve ser o mais próximo que já cheguei de experimentar com a ficção científica pura e, ainda assim, enquanto eu escrevia o primeiro rascunho, não pensei em muito além do prazer de descobrir “o que vai acontecer em seguida”. Existe uma frase de Marianne Moore que eu adoro sobre como os poemas deveriam ser “jardins imaginários com sapos de verdade”. Por mais bizarro que seja o mundo, eu acredito que os leitores queiram a sensação de que há riscos e consequências vermelho-sangue para os seus habitantes.
Uma última reflexão sobre gêneros literários, eu acho, é que muitos dos autores que eu amo parecem se alimentar de várias vertentes. São como artistas mashup, tirando o que produzem das próprias histórias que leram, das próprias experiências de vida, eu imagino, para criar um novo modo de percepção. Eles destroem as nossas expectativas genéricas. Criam contos mutantes, histórias híbridas recombinando o material genético de vários gêneros: do gótico, do lírico, do Western, da ficção-científica, do mito e da fábula. Às vezes, também penso nesses autores que admiro como oftalmologistas cientistas-loucos que corrigem certos ângulos mortos nos oferecendo uma visão alterada da realidade; colocando algumas verdades sombrias em primeiro plano, redefinindo a nossa atenção. Ao fundirem os estilhaços de tantas lentes coloridas, recusando-se a privilegiar a captura monocular da “realidade” com um único gênero literário, eles desfazem a nossa maneira costumeira de ver. E, dessa forma, acabamos com uma visão caleidoscópica que é instável e gloriosa — o olho sendo o livro ou a história. Lendo-se Kelly Link, por exemplo, ou Haruki Murakami, Jorge Luis Borges, ou Stephen King vemos o mundo todo com novas lentes.
*Slipstream: gênero de literatura fantástica que mescla ficção científica/fantasia com a ficção literária convencional.










