Dica de leitura
+5
"Memória de minhas putas tristes",Gabriel García Márquez"
Por Mariana Moreno
A julgar pelo título, pode-se esperar que “Memória de minhas putas tristes” seja um romance erotizado. E logo na primeira frase, o leitor pode sentir um certo desconforto ao imaginar a concretização do desejo do protagonista: “No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem”. Mas, ao conhecermos com mais profundidade o professor e jornalista nonagenário, descobrimos que se trata de uma história sobre envelhecimento, solidão, amor e, sobretudo, vida.
O narrador-protagonista vive sozinho em uma casa deixada de herança pelos pais e escreve crônicas para um jornal aos domingos. Durante toda sua vida, pagou por sexo (“O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”). Aos 20, começou a contabilizar com quantas mulheres já havia transado e parou de contar aos 50, quando estava na marca de 514. As experiências seguintes, mais espaçadas conforme a idade ia chegando, foram contadas na mão. Em meio a essas aventuras, quase casou, mas abandonou a noiva no dia do casamento.
Tudo mudou quando resolveu se presentear com a noite de sexo com a adolescente virgem na comemoração pelos 90 anos. Aquilo que parecia a realização de um desejo derradeiro na verdade representou um novo fôlego para uma vida mais leve e plena, ainda que o plano com a jovem não tenha saído exatamente como o planejado. A vida monótona e cinzenta ganhou um brilho diferente. Ele começou a reler clássicos e retomou o ânimo para escrever as crônicas, que passaram a ter o amor como tema principal.
“Memória de minhas putas tristes” é um livro sensível que traz à tona a solidão de um homem que sempre teve a vida movida pelo sexo. O incômodo da diferença de 76 anos entre a adolescente e o protagonista vai se amenizando na medida em que vão sendo revelados os códigos desta “relação”. Sobretudo porque a grande descoberta do nonagenário é um despertar tardio para a vida (muito mais do que para o amor), que aconteceu ironicamente quando sua bela estava adormecida.
Trecho
“Saí radiante para a rua e pela primeira vez me reconheci no horizonte remoto do meu primeiro século. Minha casa, calada e em ordem às seis e quinze, começava a gozar das cores de uma aurora feliz. Damiana cantava a toda na cozinha, o gato redivivo enroscou a cauda em meus tornozelos e continuou e continuou caminhando comigo até a minha mesa de escrever. Estava organizando meus papéis murchos, o tinteiro, a pena de ganso, quando o sol explodiu entre as amendoeiras do parque e o barco fluvial dos correios, atrasado uma semana por causa da seca, entrou bramando no canal do porto. Era enfim a vida real, com meu coração a salvo, e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz de qualquer dia depois dos meus cem anos.”
Artigos Relacionados
Quem somos
Nós somos um dos maiores conglomerados editoriais da América Latina e com o maior catálogo no segmento dos não-didáticos, o Grupo Editorial Record tem atualmente cerca de seis mil títulos.
Saiba MaisLivros em alta
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE

EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
EM BREVE
