Galera Júnior
+4
Uma carta aos leitores brasileiros
Em "O céu noturno em minha mente", seu livro de estreia, Sarah Hammond conta a história de Mikey, um garoto de 14 anos que muitas vezes fica confuso e não entende direito coisas que parecem simples para os outros meninos da sua idade. Mas ele tem uma habilidade única: consegue ver eventos do passado. Ao testemunhar um assassinato - ou pelo menos achar que o fez -, o menino terá que mergulhar no medo e na escuridão para desvendar segredos da própria vida. No texto abaixo, a autora inglesa conta para os leitores brasileiros de onde veio a ideia para este personagem tão especial.
Prezado leitor,
Sabe como foi quando conheci o Mikey? Ele é o personagem principal do meu livro, O céu noturno em minha mente. E eu me lembro muito bem do nosso primeiro encontro.
Era o começo do inverno e eu estava ouvindo um recital de poesia, quando um poema específico, de Allan Ahlberg, chamou minha atenção. Fez o meu sangue ferver.
O poema se chama “Slowreader” (Leitor lento). E conta a história de uma criança que se esforça no grupo de leitores com dificuldades enquanto os irmãos brilham no time de futebol e na peça de teatro da escola. Eu nunca tinha visto a vida através dos olhos de alguém que tem dificuldade de aprendizagem. Por algum motivo, imaginei que a criança do poema era um menino e odiei ver o quanto ele se sentia inadequado.
Enquanto voltava para pegar o carro, depois da leitura, não conseguia tirar o menino da cabeça. Ele era apenas uma sombra naquele momento, mas, ainda que eu não conseguisse distinguir suas feições e não soubesse exatamente quem ele era, sentia sua presença com muita intensidade. E eu soube que já gostava muito dele. Foi quando decidi que escreveria uma história para aquela criança-sombra séria e menosprezada. Mas eu lhe daria um talento especial, algo que ninguém mais pudesse ter.
No dia seguinte, comecei a escrever e dei uma espiada na vida de Mikey (veja que agora até nome ele já tem). Vi outros zombando dele, chamando de “lento” e “pra trás”. Mas o mundo de Mikey também era surpreendente: sombras sussurravam e o gelo era de um branco incomum e reluzente. Uma outra coisa também me surpreendeu. Mikey se referia às provocações de um jeito diferente. Em vez de ser “pra trás”, ele diz conseguir ver e sentir o Pra Trás, e eu descobri que isso tinha um significado totalmente diferente do que parecia...
Espero que você descubra e goste de conhecer Mikey e o mundo dele também.
Um abraço,
Sarah Hammond
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