A poeta mineira, que faz aniversário neste sábado, 13 de dezembro, concedeu entrevista exclusiva ao podcast Casa do Livro, apresentado pela jornalista Simone Magno e que teve como entrevistadora convidada a editora-executiva de ficção nacional da Record Ana Lima Cecilio. Adélia Prado respondeu a perguntas sobre como sente o passar do tempo e o que mudou no jeito de fazer poesia: “Por dentro, ainda tenho as mesmas curiosidades, as mesmas dificuldades, os mesmos sofrimentos, as mesmas perguntas de quando eu tinha dezoito”. Adélia falou sobre o seu sucesso no Instagram com suas leituras de poesia e leu Solo, poema que está na quarta capa de O jardim das oliveiras, livro inédito lançado este ano pela Record este ano. Neste poema, ela descreve o inevitável sorriso de quem se depara com um ovo de duas gemas. “Um ovo de duas gemas até hoje fico admirada de ver, do mesmo jeito que eu ficava quando era nova. É uma coisa misteriosa, tão linda”, justifica. “Acho que eu vivo de mistérios, dou graças a Deus pelos mistérios existirem, desde o mistério da Santíssima trindade ao mistério da encarnação de Deus, até a física quântica. Dá uma energia, esse mundo desconhecido, que eu não sei como é, o além, o depois disso”. Confira a entrevista na íntegra, nesta sexta no canal de YouTube do Grupo Editorial Record.
MAIS SOBRE ADÉLIA PRADO
Adélia Luzia Prado de Freitas completa 90 anos no dia 13 de dezembro. A poeta mineira descoberta pelo conterrâneo Carlos Drummond de Andrade foi agraciada no ano passado com o Camões e o Machado de Assis, dois dos prêmios mais importantes da literatura lusófona. Adélia Prado é vencedora de outros prêmios literários, como Griffin, Jabuti e Biblioteca Nacional, e foi condecorada pelo Governo Brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural em 2014. A editora Record vem relançando os demais livros de Adélia Prado, em edições renovadas. Este ano, chegaram às livrarias quatro livros: Bagagem, livro de estreia de Adélia, publicado em 1976; o terceiro livro da autora, Terra de Santa Cruz (1981); O pelicano (1987); e o romance O homem da mão seca (1994). Em fevereiro de 2026 haverá novas edições de Filandras, Miserere e Solte os cachorros. Publicado pela primeira vez em 2001, Filandras reúne 43 contos curtos que retratam a vida cotidiana simples de mulheres que aprendem a se mover, sonhar, desejar e sofrer no espaço íntimo da casa, entre as obrigações de todos os dias e anseios de uma vida inteira. Ao traçar vários retratos dessas mulheres, os contos se unem num contexto maior e formam um painel delicado e íntimo da existência feminina. Oitavo livro de poesia de Adélia Prado, publicado originalmente em 2013, Miserere é, ainda que com leveza e humor, “um pedido de socorro” em relação à finitude, aos pecados e aos males terrenos e da alma. Nesta reunião de poemas escritos na maturidade, Adélia volta a temas tão caros à sua obra para fazer uma reflexão de vida inteira sobre o cotidiano, a intimidade e uma relação com o sagrado que está espalhada desde o ofício de escrever poesia até a mais prosaica receita culinária. Primeiro livro de Adélia Prado em prosa, lançado originalmente em 1979, Solte os cachorros mostra que, para a poeta, a poesia está em toda parte, derramando a mesma força da linguagem de seus primeiros livros numa prosa inventiva e madura. O salto da poeta na ficção não foi ao acaso. Em sua estreia na prosa, Adélia Prado usou a mudança de gênero literário para se apresentar como uma narradora feroz, sem medo de impor-se como uma das prosas mais contundentes para retratar a vida das mulheres de sua geração. Quase 50 anos depois, o texto permanece absolutamente atual. Adélia Prado retorna ainda mais profunda e madura em O jardim das oliveiras, um livro que é ao mesmo tempo síntese e reinvenção de sua obra, um mergulho poético na aridez e na transcendência, no mistério e na lucidez. Os 105 poemas aqui reunidos retomam temáticas vivas na obra da autora, como o conflito essencial entre luz e sombra, fé e dúvida, poesia e silêncio. Em versos de grande força simbólica, o sagrado e o cotidiano se entrelaçam com rigor e desatino. A poeta elabora uma reflexão radical sobre a origem da linguagem poética e seu papel diante do mundo — “era Deus quem doía em mim”, escreve, em um dos momentos mais cortantes da obra.





