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"Você merece uma segunda chance", de César Souza
Por Mario Sergio Cortella
Gosto demais da convicção de não se deixar afastar o acolhimento de, ao menos, uma segunda chance! Afinal, supor que na Vida (que não tem rascunho) se possa ficar apenas em uma tentativa e que essa, se fraturada, teria o poder de tornar-se definitiva como impossibilidade, é sinal de coragem frágil e desejo insuficiente! César Souza sabe bem sobre tudo isso e, ao nos instigar, quer, acima de tudo, que sejamos capazes de não desistir quando esta atitude não for inevitável; contudo, ele não se contenta em nos estimular com palavras e sugere trilhas, posturas e reflexões que fortaleçam nossas capacidades.
Para a segunda chance, é preciso que você se permita, elimine o medo, tenha coragem e determinação. Reproduzo aqui o texto que publiquei originalmente no meu livro Qual é a tua obra?:
Por que alguns de nós perdemos as boas oportunidades na vida profissional ou pessoal? Porque temos medo de mudança, que se transforma em pânico. Uma pessoa só aceita a mudança, de fato, quando percebe que será beneficiada no processo. Todos temos medo. A natureza colocou em nós dois mecanismos para sobrevivermos: medo e dor. Pânico, porém, é outra coisa. Medo lhe ajuda a não achar que é invulnerável. Em todo processo de mudança, é preciso ficar acautelado, e o medo auxilia nisso. Quem não tem medo se sente satisfeito, tranquilo e distraído.
Eu viajo quase todos os dias de avião. Se o piloto está na porta do avião, a primeira coisa que eu pergunto é: “Você tem medo de avião?” Se ele disser que tem, eu viajo totalmente sossegado. Por que, se ele tem medo, o que ele faz? Prepara, organiza, estrutura, estuda, vê mapa, faz o melhor.
Agora, se faço a pergunta:
– Você tem medo?
– Imagina, nem um pouco, faz vinte anos que eu voo.
– E se tiver uma tempestade?
– Ah, na hora a gente vê o que faz.
Aí eu entro em pânico. Atenção: a coragem não é a ausência do medo. A coragem é o enfrentamento do medo. Corajoso é aquele que enfrenta o medo e não admite que este sentimento se transforme em pânico ou em inação, em imobilidade. Mudar é complicado, sem dúvida, mas acomodar é perecer.
Acomodar é perecer!(...).
É necessário ser capaz de ter medo de não renovar energia e perder oportunidade. De onde vem a palavra oportunidade? Vem do nome de um vento. Os romanos tinham o hábito na Antiguidade de dar nome aos ventos. E um vento que eles apreciavam imensamente, que levava o navio em direção ao porto, era chamado de ob portus, o vento oportuno. O que é oportunidade? É quando você pega o vento favorável, aquele que o leva para o porto. O que é o porto? O porto – assim como uma porta – é segurança, é entrada e saída, é aquilo que o impede de ficar estanque na coisa mais perigosa que existe, que é ser prisioneiro do mesmo.
O porto ou a porta impede que eu fique isolado, que eu fiquei ilhado, sem alternativa. Por isso, a oportunidade é aquilo que nos tira do mesmo porque o porto ou uma porta é, antes de mais nada, uma saída. Como é saída em grego? Exodus. Na Bíblia, é a passagem clássica dos hebreus, conduzidos por Moisés, até a terra prometida, Canaã. A palavra em inglês que veio de exodus é exit. Que significa “sucesso”, “resultado positivo” e, também, “saída”.
Para ir da oportunidade ao êxito é preciso enfrentar os medos de mudança, romper com esse sentimento e ir atrás do vento oportuno. Para isso, é preciso mudar a mentalidade. É preciso ter uma mentalidade humilde. Uma mentalidade moderna.
Uma característica central de quem não perde oportunidade é a capacidade de ter audácia. Não confunda audácia com aventura. A mudança se faz com os audaciosos, não com os aventureiros. O grande pensador alemão Immanuel Kant, no século XVIII, dizia: “Avalia-se a inteligência de um indivíduo pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar”. Suportar não significa sucumbir, mas resistir às incertezas e continuar. Para resistir às incertezas é preciso ter audácia. Repita-se: Não confunda audácia com aventura. Audacioso ou audaciosa é aquele ou aquela que planeja, organiza, estrutura e vai. Aventureiro ou aventureira é quem diz: “Vamos que vamos e veremos no que dá”.
O bom navegador não espera o vento oportuno, ele vai atrás. A audácia lhe coloca uma condição: é preciso ser capaz de antecipar. Antecipar é diferente de adivinhar. Antecipar está no campo do planejamento e da ciência, enquanto adivinhar está no reino da magia. Não dá para adivinhar o mercado, mas dá para antecipar. Não dá para adivinhar o processo, dá para antecipar. Para isso, a pessoa que não perde a oportunidade se caracteriza pela capacidade proativa. Diferentemente daquele que só quer adivinhar e é, portanto, reativo.
Portanto, antecipe-se e permita-se uma nova oportunidade, ou chance, pois quem se acomoda perece, ou como diz César Souza, “reinvente-se ou morra”.
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