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Janonismo cultural

Como Janones fez a comunicação política brasileira ganhar o mundo

Como Janones fez a comunicação política brasileira ganhar o mundo

O Exército do Lula se mostrou um dos pilares fundamentais da comunicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta eleição, contribuindo decisivamente para sua vitória. Os métodos usados no grupo de WhatsApp têm sua origem contada nas páginas de Janonismo Cultural: o uso das redes sociais e a batalha pela democracia no Brasil, livro do deputado federal André Janones publicado pela Record em 2023 através do selo Civilização Brasileira. A obra, descrita por Paula Lavigne na apresentação como “metade manual de comunicação contemporânea sobre o uso de redes sociais, metade bastidores da campanha de 2022”, relata como Janones abriu mão da própria pré-candidatura à Presidência para apoiar Lula e passou a se dedicar integralmente à disputa nas redes.

Foi no segundo turno de 2022 que a experiência da estratégia digital coordenada ganhou forma. Janones define o Janonismo Cultural como uma tática em muitas frentes, com a participação ativa do eleitor como centro da estratégia. Segundo Janones, a mobilização digital em 2022 era “o ponto fraco da comunicação da campanha de Lula”. Se naquela eleição havia fragilidade no uso das redes e na compreensão do algoritmo da Meta, no pleito seguinte o jogo virou. O Exército do Lula mobilizou mais de 10,8 milhões de brasileiros. Disparos de cortes de vídeos, uso de hashtags, comentários, curtidas e salvamentos foram algumas das muitas missões realizadas pelos integrantes do grupo.

A aposta em uma comunicação centralizada, constante e próxima do eleitor comum é a base do que se viu agora. Nesta eleição, a comunicação política da esquerda foi histórica, e o Exército do Lula nasceu justamente das lições registradas no livro. Já em 2022, Janones alertava que não se podia tratar a internet como território exclusivo do bolsonarismo: “A esquerda também podia — e devia! — dominar esse campo antes que fosse tarde.” O livro é leitura indispensável para quem se interessa por comunicação, história, política e os novos cenários de disputa de narrativas.