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Anibal Machado
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Mineiro, Aníbal Machado viveu por longo tempo no Rio de Janeiro, onde se tornaram famosas as suas domingueiras, que reuniam artistas como Oswald de Andrade, Pagu, Vinicius de Moraes e Di Cavalcanti, só pelo prazer de viver e conversar. Aníbal foi um apreciador do provisório, do circunstancial e desprezava, ao contrário, as sentenças e os dogmas. Numa de suas notas, diz que prefere o sentimento dramático do movimento ao sentimento do absoluto. Essa aversão pelas soluções fechadas e pelas imagens fixas ajuda a explicar a inquietação guardada em seus livros.
Foi um escritor realista, mas de um realismo temperado pela observação impressionista e pelo humor. Ele mesmo define: Humor, rebelião tranquila do espírito contra a miséria envergonhada da condição humana. Apegado ao passageiro e ao instável, Aníbal Machado pôde, assim, abrir espaço para sua fértil imaginação. Que se fixava, sempre, sobre o presente, desconfiando da utopia e da esperança. “As coisas ardentemente esperadas chegam frias’’, ele anota.
A literatura de Aníbal Machado está fortemente apegada à vida e a tudo o que ela tem de incompleto e quebradiço. Ele diz: O melhor momento da flecha não é o de sua inserção no alvo, mas o da trajetória entre o arco e a chegada. A preferência pelo passageiro o levou a uma postura existencialista, expressa na sentença: Viver é o mesmo que preparar-se para viver. E foi preparando-se para viver, mesmo sabendo que a vida completa e acabada nunca chega, que ele escreveu. Em trânsito, como um viajante, sempre de passagem, mas, por isso mesmo, disponível para o impacto das pequenas coisas. Aníbal Machado se via como um homem inacabado, em contínuo processo de mudança. Um homem movido pelo espírito da aventura.
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