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Estreia de “Live Delas” debate e homenageia a obra de bell hooks
A programação da série Live Delas, promovida pelo selo editorial feminista Rosa dos Tempos no mês da mulher, teve início com uma potente e diversa conversa sobre feminismo plurai, com enfoque no feminismo negro. A editora-executiva da Rosa dos Tempos, Livia Vianna, recebeu Giovana Xavier (Preta Dotôra), Dra. em História Social e Professora da UFRJ, e Maria Clara Araujo (@afrotranscendente), pedagoga (PUC-SP) especializada em pedagogia das transvestilidades - Maria Clara é travesti ativista da causa.
O tema do encontro era “O Feminismo é pra todas as pessoas”, fazendo alusão ao título de bell hooks “Feminismo é para todo mundo”. hooks também é autora de “E eu não sou uma mulher?”, ambos publicados pelo selo Rosa dos Tempos. bell books foi tema central da conversa e serviu de ponto de partido para que as convidadas explicassem, de seus pontos de vista e de experiências de vida distintas, como o feminismo pode (e é) ser plural, com diferentes caminhos, respeitando as individualidades de cada mulher, suas histórias de vida, suas particularidades e formas de existir no mundo.
Para “abrir os trabalhos”, Giovana Xavier, conhecida como Preta Dotôra nas redes sociais, apresentou um oriki, uma oração para iniciar a noite - Giovana é candomblecista e também versa sobre o tema da pluralidade e intolerância religiosa em suas redes. “Que sejamos capazes de, nesta noite, estender para fora o amor que há dentro de nós”, entoou. Com as bençãos dos orixás e de todos os santos, o amor surgiu na forma de diálogo e de uma rica conversa.
bell hooks
Sobre a autora bell hooks, a pedagoga Maria Clara Araújo ressaltou a importância de ter conhecido seu trabalho e como isso transformou sua existência como educadora e como travesti. “(bell hooks) foi quem me introduziu ao feminismo negro”, conta. “Ela entra em minha vida de maneira concreta enquanto educadora. O que implica a mim, enquanto travesti e educadora, quais são os desafios, muitas vezes deslegitimado, que reproduz o afastamento. bell books me propiciou um encontro com a pedagogia feminista que apresenta teoria e a prática” contou a pedagoga. Segundo Maria Clara, foi depois de ler bell hooks que ela conheceu Paulo Freire e foi quem a levou ao trabalho do educador brasileiro. “Ela deveria ser incluída nos currículos disciplinares como uma pedagogia feminista”.
Giovana Xavier foi além. Em sua alcunha nas redes, o nome Preta Dotôra coloca em evidência um contraste num mundo machista e racista, dois traços que ressaltam a importância da necessidade da pluralidade no movimento feminista: o acesso a um lugar ainda tido como elite e majoritariamente ocupado por pessoas brancas e homens. Para ela, até mesmo estar ali, naquele espaço, a convite da Rosa, para falar sobre estes temas, é algo a se destacar. “Isso é um avanço, pois geralmente somos convidadas para falar sobre morte, tragédias e experiências de racismo. Aqui não. Aqui estamos tendo a oportunidade de, genuinamente, trazer este feminismo visionário que a bell hooks nos convida a pensar”. Giovana conheceu bell hooks há cerca de 15 anos, quando ainda não se falava no Brasil em feminismo negro. “Foi quando encontrei ‘e não sou eu uma mulher?’ e tive a honra de depois, em 2019, fazer a orelha deste livro, lançado pela Rosa, o mais importante selo feminista do país. Foi através dessa autora que eu avancei e muito. Até no inglês, por exemplo”, contou a pesquisadora.
Live Delas e Rosa dos Tempos
Esta foi a primeira live para do “Live Delas”, uma série de conversas especiais às 19h, em todas às segundas de março no Instagram da Rosa dos Tempos (@editorarosadostempos), o selo criado em 1990 pela escritora feminista Rose Marie Muraro que retoma a trajetória de engajamento e discussão de gênero.
Acompanhe e confira a programação dos próximos encontros:
15/03 – Manuela Xavier e Luiza Junqueira
22/03 – Heloisa Buarque de Holanda e Amara Moira
29/03 – Marcia Tiburi e Manuela D’Ávila
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