A conquista do voto feminino no Brasil completa 90 anos. Em 1932, o Código Eleitoral garantiu que todas as mulheres acima de 21 anos tivessem os direitos de votar e serem votadas em todo o território nacional. Dois anos depois, em 1934, o sufrágio feminino passou a ser previsto na Constituição Federal.
No livro 50 brasileiras incríveis para conhecer antes de crescer (Galera Record, 378 págs., R$ 79,90), Débora Thomé apresenta os perfis de 3 mulheres que foram fundamentais nesse momento histórico: Carlota Pereira de Queirós, a primeira mulher eleita no Brasil, Antonieta de Barros, a primeira mulher negra eleita, e Bertha Lutz, a maior figura sufragista do país. Confira um trecho do perfil de Lutz exclusivo do livro:
“Se o feminismo tivesse uma mãe, no Brasil, o nome dela seria Bertha Lutz. Feminismo, para quem ainda não conhece essa palavra, é a ideia defendida por muitas mulheres de que elas precisam ter os mesmos direitos que os homens: nem menos, nem mais. Parece engraçado ter que batalhar por isso, mas — acreditem — a luta de Bertha, que começou há um século, continua bastante atual.
Bertha se formou bióloga na Sorbonne, uma universidade importante da França. Quando estudava na Europa, conheceu muitas mulheres que protestavam para garantir seus direitos, principalmente o de votar. Ela então pensou que precisava fazer algo assim quando chegasse ao Brasil.
Ao retornar, logo foi trabalhar no Museu Nacional, mas não havia o que tirasse a questão feminista da cabeça da moça. Em 1918, mesmo ano de sua volta, escreveu no jornal o artigo "Somos filhos de tais mulheres", defendendo a participação política da mulher. O texto marcou para sempre a história do feminismo no Brasil.
Por suas atividades, Bertha acabou convidada para participar de várias conferências no exterior. Ela ficou tão inspirada por esses movimentos que criou, com outras mulheres, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a FBPF.
Apesar de ter sido uma das vozes mais importantes na defesa do direito ao voto, quando se candidatou em 1934, Bertha foi apenas eleita deputada suplente. Dois anos depois, assumiu o cargo, sempre preocupada em propor políticas que ajudassem a melhorar a vida das mulheres. Como em 1937 foi decretado o Estado Novo e o Congresso foi fechado, adeus mandato.
Depois disso, Bertha continuou representando o Brasil pelo mundo em diversos encontros para tratar do direito das mulheres. Foi até premiada com o título Mulher das Américas. Em meio a toda essa militância, ainda teve tempo para cuidar de sua carreira de bióloga. Estudou os anfíbios brasileiros e deu até nome a uma lagartixa de praia: é a Liolaemus lutzae.”
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