A história dos meus peitos é o romance de estreia de Mariana Guimarães, onde a personagem-narradora reconstrói suas memórias sob a perspectiva dos próprios peitos.
“Nenhum homem nunca mais chupou meus peitos desde que minhas filhas botaram suas boquinhas neles.” É assim que começa A história dos meus peitos: Luiza, protagonista e narradora deste romance, está diante do espelho e perscruta cada parte do seu corpo até chegar aos peitos. Peitos que cresceram, se arrebitaram, se espremeram em sutiãs, foram vistos, lambidos, apertados, amamentaram duas filhas e então murcharam. A história deles é também a metonímia da história da sexualidade desta e de muitas outras mulheres.
Tudo começa no consultório de um cirurgião plástico: para Luiza, que teve seu olhar moldado por imagens de corpos perfeitos, tetas murchas são uma espécie de fracasso. Então voltamos à sua infância, à adolescência, à época de suas primeiras experimentações, quando o corpo da outra era sempre mais bonito e o lugar de uma menina se definia pelo desejo masculino. Seguimos com ela o fio da memória, passando pela descoberta da paixão, do prazer, da intimidade, e também por sua vontade de ocupar um lugar no mundo, manifesta primeiro através da profissão de advogada.
Depois de casar, engravidar e ter duas filhas, Luiza se vê diante da própria ofensa mordaz que ela projetava como futuro: virou dona de casa. É a hora então de se olhar de novo no espelho e se questionar sobre tudo — seu relacionamento, sua profissão e, sobretudo, seus desejos.
Esta é a maior ousadia de A história dos meus peitos: colocar o desejo de uma mulher em primeiro plano, deslocando seu corpo nu do lugar de objeto. Ela, aqui, é sujeito. Mesmo que o começo de tudo seja a insatisfação com o próprio corpo.
Com prosa firme, Mariana Guimarães delineia a trajetória comovente de uma mulher que, da constrição de séculos, agora é livre. E, sim, deseja.