Os caminhos de três órfãos se cruzam por acaso na cidade de Bangcoc, mas, à medida que amadurecem juntos, percebem que esse encontro foi obra do destino.
Duas vezes vencedora do prêmio SEA Write e uma das autoras mais celebradas da literatura asiática, Veeraporn Nitiprapha traz em A minhoca cega no labirinto uma narrativa lírica, profunda e sensorial sobre receber a vida de braços abertos.
Há romances quase impossíveis de resumir porque não se contentam em contar uma história. Eles tecem uma atmosfera, sussurram uma música, lançam um feitiço. A minhoca cega no labirinto é um desses livros raros que se lê tanto com os olhos como com os sentidos. Aqui, paladar e olfato se enlaçam às memórias mais profundas, trazendo à tona o que estava esquecido.
Chareeya nasce numa casa à beira de uma tragédia. Sua chegada coincide com o instante em que a mãe descobre a infidelidade do pai e, antes mesmo de abrir os olhos, a menina já carrega a ferida do abandono. Ela e a irmã, Chalika, crescem num lar que parece feito de silêncios. E, como presságio, surge Pran, um órfão melancólico, alguém que parece destinado a se perder e, ainda assim, permanecer em cada lugar por onde passa.
Entre encontros e desencontros, forma-se um triângulo amoroso. Por baixo dele correm rios de música, de flores e de comidas, além de desejos íntimos e ilusões políticas. O amor dos três nasce como algo inevitável, mas nunca simples, nunca inteiro.
A narrativa de Veeraporn Nitiprapha não avança em linha reta. Ela se dobra e se redobra como um rio sinuoso e cheio de vida sob a superfície. A minhoca cega no labirinto é um romance que se lê como quem atravessa um labirinto, perdido e deslumbrado, tateando uma saída. E se perder, aqui, é o maior presente que o livro oferece. Aceitar esse convite é descobrir que, às vezes, o destino da literatura é apenas este, devolver-nos o desejo de viver.