Quinze anos depois do acidente que mudou completamente a sua perspectiva sobre a vida, Estêvão Ciavatta Pantoja ensina como viver No passo da cobra.
Em 2008, Estêvão Ciavatta seguia a cavalo para seu sítio em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, quando o animal se assustou com algo na estrada e o derrubou, literalmente, de cara no chão. No impacto, uma lesão medular entre a 3ª e a 4ª vértebra o deixou paralisado do pescoço para baixo. A decisão lúcida de não deixar que ninguém o movesse foi crucial para o que viria ser um longo processo de recuperação, envolvendo cirurgias, fisioterapia e o desafio de reaprender a viver em seu corpo.
Este não é, no entanto, um livro apenas sobre a sua recuperação física, que por si só é impressionante, tendo recuperado cerca de 80% dos movimentos (dos quais, segundo Estêvão, ele aproveita 100%). Sua reabilitação se deu também em inúmeras viagens de trabalho à Amazônia, onde entendeu nossa profunda conexão com a Mãe Natureza, seja através de conversas com os mais renomados cientistas brasileiros, seja através do contato com o saber dos povos indígenas do Brasil.
Ele descreve como essa mudança de perspectiva o levou a viver “no passo da cobra” — curiosamente um animal que ele sempre temeu na infância, por sua sinuosidade e imprevisibilidade, por ir a todo lugar sem depender de braços ou pernas. Andar no passo da cobra é prestar atenção nos detalhes do caminho, mas sem que isso te paralise; antecipar os perigos, mas sem se preocupar em demasia com eles; viver em sintonia com o fluxo da vida, respeitando o tempo das coisas.
Com sinceridade sobre os desafios enfrentados durante a sua recuperação e uma compreensão profunda sobre os ensinamentos da natureza, Estêvão Ciavatta Pantoja desenha, neste No passo da cobra, um manual sobre como viver bem em tempos complexos e contraditórios da vida urbana moderna.