O antimodernista

O antimodernista

Graciliano Ramos e 1922
Conteúdo do livro
CÓDIGO DA OBRA9786555874464
Sinopse
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Nas crônicas, entrevistas e cartas reunidas neste livro, Graciliano Ramos revela sua visão muito particular do movimento modernista brasileiro, simbolizado pla Semana de Arte Moderna de 1922.

 

Neste O antimodernista: Graciliano Ramos e 1922, organizado por Thiago Mio Salla e Ieda Lebensztayn, o leitor encontrará a consciência crítica e autocrítica de um Graciliano Ramos na contracorrente do triunfalismo modernista, simbolizado pela Semana de Arte Moderna de 1922. É a perspectiva de um artista que duvida da idolatria ao progresso e recusa o fascínio pelo novo, quando os exageros ignoram as desigualdades sociais do país.

Não se trata, contudo, de uma defesa do tradicionalismo nem de reacionarismo. Neste livro, por meio de seus textos — crônicas, entrevistas, cartas —, vemos um Graciliano incomodado com os descaminhos da civilização ocidental, e que manifesta sua postura desconfiada e vigilante de modo contínuo. Aqui, o leitor será levado a questionar os vínculos, em termos de proximidades e diferenças, de Graciliano com Mário de Andrade e Oswald de Andrade, e com a literatura moderna nordestina — de intelectuais e artistas como Manuel Bandeira, Santa Rosa, os alagoanos Aurélio Buarque de Holanda, Valdemar Cavalcanti, Jorge de Lima, além dos representantes do chamado romance de 1930, como José Lins do Rego, Jorge Amado e Rachel de Queiroz. O leitor poderá constatar ainda como o trabalho de organizar uma antologia de contos brasileiros marcou a perspectiva de Graciliano, revelando seus critérios artísticos.

Graciliano defendia a clareza da escrita e uma técnica ficcional feita de circunspecção, introspecção e respeito às palavras e aos seres, capaz de articular a representação crítica e a expressão subjetiva de impasses sociais e morais. Os textos presentes em O antimodernista permitem que se conheçam e se compreendam melhor os vínculos do autor de Vidas secas com o modernismo, suas reflexões sobre os critérios de permanência das obras de arte e seu olhar agudo sobre o Brasil.

 

“GRACILIANO RAMOS: Os modernistas brasileiros, confundindo o ambiente literário do país com a Academia, traçaram linhas divisórias rígidas (mas arbitrárias) entre o bom e o mau. E, querendo destruir tudo que ficara para trás, condenaram, por ignorância ou safadeza, muita coisa que merecia ser salva. Vendo em Coelho Neto a encarnação da literatura brasileira — o que era um erro — fingiram esquecer tudo quanto havia antes, e nessa condenação maciça cometeram injustiças tremendas. [...]

REVISTA DO GLOBO: Quer dizer que não se considera modernista?

GRACILIANO RAMOS: Que ideia! Enquanto os rapazes de 22 promoviam seu movimentozinho, achava-me em Palmeira dos Índios, em pleno sertão alagoano, vendendo chita no balcão.”

— Trecho de entrevista concedida por Graciliano Ramos em 1948.

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ISBN978-655-587-446-4
Tradutor
Altura225 mm
Largura155 mm
Profundidade16 mm
Lançamento28/03/2022
Páginas294
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Conteúdo do livro
CÓDIGO DA OBRA9786555874464
Sobre o autor

Graciliano Ramos

Graciliano Ramos nasceu em 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, Alagoas. Entre 1914 e 1915, então no Rio de Janeiro, trabalhou como revisor nos jornais Correio da Manhã, A Tarde e O Século. Casou-se em 21 de outubro de 1915 com Maria Augusta de Barros, com quem teve quatro filhos. Em 1926, já viúvo, casou-se novamente, com Heloisa Medeiros, companheira até o fim da vida e mãe de seus outros quatro filhos; e foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios — cargo a que renunciou, em 1930, dois anos após a posse. Poucos meses depois, foi nomeado diretor da Imprensa Oficial de Alagoas, mas pediu demissão em dezembro de 1931. Em 1933, publicou seu romance de estreia, Caetés. No mesmo ano, foi nomeado diretor da Instrução Pública de Alagoas e contratado como redator do Jornal de Alagoas. Em 1934, publicou seu segundo romance, S. Bernardo. Em março de 1936, foi preso, em Maceió, sem acusação formal, sob a alegação de que seria comunista. Passou por várias prisões em Maceió e Recife. Seguiu no porão de um navio para o Rio de Janeiro, onde ficou quase um ano na cadeia. Em agosto, ainda na prisão, publicou o romance Angústia. Ao sair do cárcere, morou no Rio de Janeiro com a família. Iniciou a publicação de alguns contos no jornal argentino La Prensa, entre eles “Baleia”, que faria parte da edição de Vidas secas, lançado em 1938. Ao completar 50 anos, recebeu o Prêmio Felipe de Oliveira pelo conjunto da obra. Em 1945, filiou-se ao Partido Comunista a convite de Luís Carlos Prestes. Em 30 de março de 1953, aos 61 anos, o Mestre Graça ― como era carinhosamente chamado ― faleceu na cidade do Rio de Janeiro.

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