Das mais admiráveis facetas do trabalho do polivalente pensador Nei Lopes, a de dicionarista já rendeu um Jabuti de livro do ano, atribuído ao original Dicionário da História Social do Samba (Ed. Civilização Brasileira), escrito a quatro mãos com Luiz Antonio Simas. Desta vez em trabalho solo, Nei lança Dicionário de Africanismos nas Américas, no qual explora a influência dos povos africanos na língua surgida no encontro com os exploradores brancos, e os nativos ameríndios.
Entre os verbetes mais surpreendentes está a expressão papá légua. Confira a definição deste e de outros três vocábulos.
FAROFA. Tipo de alimento ou acompanhamento culinário com base, sobretudo, na farinha de mandioca. | Segundo o etnólogo angolano Óscar Ribas (1909-2004), a origem da denominação estaria no quimbundo falofa.
PAPÁ LÉGUA. Na denominação carinhosa de Elegbá, contraparte daomeana do Exu iorubano (Elegbará, “senhor da força”), acrescida do português antilhano Papa, “pai”. Espírito representado como um velho fumando cachimbo e apoiado em uma muleta.
QUINDIM. Guloseima doce, feita com gema de ovo, coco e açúcar. | Segundo Lopes (2012), do quicongo kénde, grande pudim de mandioca ou milho fresco, por meio de uma provável forma aportuguesada e diminutiva, “quendinho”. Para Castro (2022), viria de um quicongo kintinti, “delicadeza”.
SEREIA. Ser mitológico de natureza feminina, habitante de mares, rios ou lagos e presente na mítica de vários povos do mundo. Na umbanda, as sereias integram uma falange da linha de Iemanjá chefiada por Oxum.










