ASSIM NA TERRA COMO EMBAIXO DA TERRA | Ana Paula Maia | Record
Uma colônia penal isolada – um terreno com um histórico tenebroso de assassinato e tortura de escravos –, construída para ser um modelo de detenção do qual preso nenhum fugiria, torna-se campo de extermínio. Espécie de capitão do mato/carcereiro, Melquíades é o algoz dos presos, caçando e matando-os como animais, apenas por satisfação pessoal. Os presos, cada qual com sua história, estão sempre planejando a própria fuga, sem saber se vão acabar mortos pelos guardas ou pelo que os espera do lado de fora da Colônia.
NUNCA HOUVE TANTO FIM COMO AGORA | Evandro Afonso Ferreira | Record
Vítimas do abandono, cinco personagens sobrevivem nas ruas de São Paulo, entre ranhos e remelas, ao relento. Em suas conversas, gritos, tosses e divagações, cinco “ácaros topográficos” buscam o sentido da vida, denunciando o desdém geral dos transeuntes. Escritor premiado, Evandro Affonso Ferreira alcança, neste romance, um raro equilíbrio entre apuro literário, inovação linguística, reflexão filosófica e crítica social. Resistindo ao apelo das narrativas uniformizadas, que atualmente se confundem no vazio, Evandro tem pacientemente cultivado, ao longo de décadas, o próprio estilo. O resultado é único: uma voz contundente, ao mesmo tempo honesta e erudita, reconhecida pelo leitor desde as primeiras linhas, como ocorre nos maiores nomes de nossa literatura.
ÚLTIMA HORA | José Almeida Júnior | Record
Última Hora é um romance histórico que nos leva ao Brasil do início da década de 1950, visto por dentro da rotina, tramas e intrigas do jornal Última Hora. Criado pelo presidente Getúlio Vargas em plena turbulência política, a publicação tem como editor-chefe Samuel Wainer, aqui retratado em detalhes. Foi Wainer quem deu nome à famosa coluna A vida como ela é…, de Nelson Rodrigues, também convidado para formar o elenco dos colaboradores. O jornal enfrenta opositores como Carlos Lacerda, que também se opunha ao governo Vargas, mas este não é o único problema de Marcos, o protagonista. Jornalista torturado na ditadura Vargas, ao ser convidado por Samuel Wainer, Marcos primeiramente se recusa, mas acaba aceitando fazer parte da redação. Tendo que lidar com as exigências da militância e com dificuldades financeiras, o caminho tortuoso deste personagem é o pêndulo ideológico e moral que não o afronta apenas na redação, mas também em seu relacionamento familiar. O romance é lapidar em nos lembrar a história do país sem expor qualquer ranço da pesquisa histórica que lhe serviu de base. O resultado é um bordado que camufla o cerzido e deixa ver apenas o que interessa: a boa literatura.










