Kant e o ornitorrinco

Kant e o ornitorrinco

Ensaios sobre linguagem e cognição
Autor: Umberto Eco
Conteúdo do livro
CÓDIGO DA OBRA9786555876260
Sinopse

Dialogando com Tratato geral da semiótica, esta nova edição de Kant e o ornitorrinco reúne ensaios escritos por Umberto Eco que tratam de temas ligados à linguagem e à cognição.

 

Como reconhecemos um gato? Como o diferenciamos de um cachorro? Por que não confundimos um elefante com um tatu ou não chamamos uma mulher de chapéu? Esse problema formidável vem obcecando os pensadores desde Platão até os filósofos contemporâneos, e nem mesmo Kant soube solucioná-lo de forma satisfatória. Em Kant e o ornitorrinco, Umberto Eco se debruça sobre essas questões e passeia pelo campo vago e fascinante das ciências cognitivas. “Se muitas são as coisas que digo nestas páginas, muitíssimas são aquelas que não digo, simplesmente porque não tenho ideias precisas a respeito delas.”

Escritos no decorrer de um ano, os ensaios deste livro se originaram de preocupações sistemáticas, que remetem, complementam e dialogam com o Tratado geral de semiótica, clássico de Eco publicado em 1975. Em vez de uma análise acadêmica, Eco apresenta uma série de investigações a partir do senso comum, e suas discussões teóricas estão cheias de “histórias”, recorrendo a fábulas para fazer com que o leitor veja os temas de forma clara.

Mas e quanto a Kant e o ornitorrinco? De Kant — de quem dependem os rumos das ciências cognitivas deste século, a partir de seus dilemas e axiomas —, Eco retira os conceitos empíricos que admitem um primeiro núcleo a partir do qual se organizarão sucessivas definições. Já o ornitorrinco, mamífero que por mais de um século não conseguiu ser incluído em qualquer categoria de ordem e espécie, serve como exemplo primário para as dificuldades de classificação. Serve, portanto, para testar o sistema kantiano, ou a ordem do conhecimento segundo Kant; e ainda para que imaginemos a reação do filósofo diante desse animal que nunca chegou a conhecer.

 

“Neste livro explico por que o ornitorrinco não é horrível, mas prodigioso e providencial por pôr à prova uma teoria do conhecimento. A propósito, pela sua aparição muito remota no desenvolvimento das espécies, insinuo que não seja feito com pedaços de outros animais, mas que os outros animais é que são feitos dos seus pedaços. [...]

A tarefa de um discurso filosófico é rever de onde Kant partiu, e contra quais nós problemáticos se debateu, porque a sua alternância pode nos ensinar algo também. Sem saber, poderemos ser ainda filhos dos seus erros (assim como das suas verdades), e conhecer o assunto poderia evitar que cometêssemos erros análogos ou acreditar que descobrimos ontem aquilo que ele já havia sugerido há duzentos anos. Para falar rapidamente, Kant não sabia nada sobre o ornitorrinco, e paciência, mas o ornitorrinco, para resolver a própria crise de identidade, deveria saber algo sobre Kant.”

ISBN978-655-587-626-0
Tradutor Ana Thereza B. Vieira
Altura225 mm
Largura155 mm
Profundidade27 mm
Lançamento20/03/2023
Páginas490
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Conteúdo do livro
CÓDIGO DA OBRA9786555876260
Sobre o autor

Umberto Eco

Umberto Eco (1932–2016) nasceu em Alexandria, na Itália, onde estudou filosofia medieval e literatura. Reconhecido internacionalmente, Umberto Eco influenciou decisivamente o pensamento contemporâneo ao unir rigor acadêmico e narrativa ficcional, consolidando-se como uma das figuras mais importantes da literatura e da teoria cultural do século XX. Transitou entre a crítica cultural, a filosofia e a ficção. Sua consagração literária veio com o romance O Nome da Rosa (1980), uma obra que combina erudição medieval, investigação policial e reflexão filosófica. Outros títulos de destaque incluem O Pêndulo de Foucault, A Ilha do Dia Anterior e Baudolino. Ao longo de sua carreira, analisou criticamente os meios de comunicação, a cultura popular e os mecanismos de interpretação dos textos.

Jean-Claude Carrière (1931-2021) foi um grande bibliófilo, roteirista, escritor, diretor e ator francês. Foi presidente da La Fémis, a escola cinematográfica do estado francês, venceu os prêmios de melhor roteiro adaptado BAFTA (1988), British Film Academy Award (1973) e Molière (1991), melhor roteiro original César (1983) e melhor filme em curta metragem Óscar (1962).

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