13 segundos
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"13 segundos", de Bel Rodrigues
A chegada da juventude é um momento especial para todos. Desde as novas descobertas às responsabilidades, tudo parece muito novo. Não foi diferente para Lola. A menina vive em Curitiba com a mãe e a irmã adotiva e está no último ano do ensino médio. A jovem tem muitos amigos na cidade e um ex-namorado abusivo, que ainda não superou o término do namoro. Entre sonhos, descobertas e curtições, Lola se depara com uma crise: um vídeo íntimo seu, de 13 segundos, é divulgado na internet. Essa é a história de "13 segundos", primeiro romance solo da catarinense Bel Rodrigues, que já havia participado da coletânea de contos "O amor nos tempos de #likes", também lançado pela Galera.
Para lidar com a situação delicada, ela vai precisar de apoio, mas isso é o que não falta na vida de Lola. Em meio à crise, a menina consegue passar por cima dos problemas e fazer bombar seu canal no Youtube, onde publica covers de suas músicas favoritas, já que talento não lhe falta. Em meio a uma deliciosa e descolada história, Bel levanta uma pauta importante: o revenge porn, que se caracteriza pela divulgação de vídeos íntimos como forma de vingança, geralmente praticado por ex-namorados. Para construir a história, a autora mergulhou em histórias de mulheres que já viveram a situação e trouxe em “13 segundos” sua visão sobre o assunto. Confira, a seguir, a entrevista com a autora:
"13 segundos" começou a ser escrito há cerca de dez anos. O que você precisou alterar para adequar o livro aos dias de hoje? Como interligar a escrita da Bel de 14 anos e a de agora?
Eu era uma pessoa quase que completamente diferente há dez anos, então precisei mudar a grande maioria dos personagens. Senti que era minha obrigação construir personagens diferentes e que pudessem ser representativos para o leitor. Desisti da ideia que tinha de construir somente personagens perfeitos e percebi que uma das coisas mais legais do processo de construção da história é criar personagens totalmente suscetíveis ao erro, essa foi uma lição valiosa.
A temática do revenge porn está presente como tema principal do livro. A prática ainda é muito recorrente, principalmente entre jovens e adolescentes. Isso está ligado à sua vida de alguma forma? Como foi o processo de pesquisa para tratar sobre o tema?
Ao final da leitura, eu senti necessidade de fazer uma nota para esclarecer como fora a criação dessa história. Nessa nota, falo de um caso que aconteceu com uma garota muito próxima e que mexeu comigo de diferentes formas. Hoje, afirmo com certeza que foi meu primeiro contato com o sentimento de sororidade. O processo de pesquisa foi difícil, pois estudei textos que eram majoritariamente redigidos em outro idioma devido ao pouco que o assunto é comentado no nosso país. Além disso, também conversei com vítimas do revenge porn a fim de saber do assunto com quem tem propriedade para falar dele.
Esse é o seu primeiro livro solo. Como foi a experiência e quais a diferenças entre construir uma história com parcerias e viver o processo sozinha?
É tudo completamente diferente. Durante a escrita de "O amor nos tempos de #likes", a descontração era muito maior justamente porque o tema era leve, dividíamos as angústias e receios da primeira publicação e nos ajudávamos muito. Isso não mudou, ainda comentamos bastante sobre escrita, mas saber que sua próxima publicação será de uma história que foi sua por anos e agora está sendo compartilhada com os outros é muito, muito diferente. E motivador!
Como foi o processo de criação dos personagens do livro?
Minha parte favorita da história. Eu sempre quis apresentar esses personagens aos leitores, exatamente como eles são. Meu método sagrado é sempre fazer o mapa astral deles para determinar suas atitudes ao longo da história. Mesmo se você não acredita em astrologia, vale a tentativa! Não precisa ser nada muito fundamentado, só para ter como base mesmo.
Lola, a personagem principal, tem uma forte relação com questões como feminismo e racismo, com opiniões muito fortes. Como você acredita que a personalidade da jovem pode influenciar os leitores?
A Lola é uma personagem cheia de defeitos que eu fiz questão que fossem colocados, porque não acho válido associar o protagonista ao personagem perfeito somente por SER o protagonista. No começo da história, ela ainda tem alguns pensamentos machistas que vão perdendo o sentido ao longo da narrativa, pois ela sente, mais do que ninguém, o machismo na pele. Desconstruir uma imposição social não é algo que acontece da noite pro dia e muitas pessoas precisam sentir as amarras da sociedade patriarcal para mudarem suas posturas. Minha intenção é influenciar os leitores justamente pra que eles não esperem algo grave acontecer para mudar um comportamento problemático.
Você e a personagem têm algumas coisas em comum. Além dos cabelos rosa, as duas são Youtubers. No caso de Lola, a plataforma foi utilizada a favor e contra ela. Você acha que a internet, no geral, possui esse poder?
Com certeza. A internet é uma plataforma poderosa e é uma via de mão dupla: pode agir a seu favor ou contra você. Ultimamente nós vimos esse poder de pertinho com as polêmicas de youtubers famosos apagando postagens racistas, misóginas e homofóbicas.
Quais são as suas expectativas para o lançamento do livro? Como é a relação entre você e seu público?
Tudo que to sentindo nessa fase pré-lançamento/primeira semana de publicação é muito louco. Não tem outra palavra pra definir esse sentimento. É uma mistura de amor, gratidão e muita, muita felicidade ao ver meus leitores recebendo essa história tão bem.
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