Por Raquel Araujo
Carioca, formado pela PUC-Rio e um grande admirador das diferentes culturas. Eduardo Spohr é referência da literatura nacional. O autor, que já trabalhou como jornalista, hoje em dia se dedica integralmente à carreira de escritor. Com mais de dez de estrada, o autor lança em novembro Paraíso Perdido, obra que encerra a série Filhos do Éden e conecta a saga com o seu primeiro livro: A Batalha do Apocalipse. Nesta sexta-feira, Eduardo estará na Livraria Saraiva do Plaza Shopping, em Niterói, para autografar Paraíso Perdido. No sábado, o autor encontra os fãs na livraria Cultura, no Centro, e domingo, na Leitura, do shopping Nova América.
Depois de dois anos totalmente focado na produção de Paraíso perdido, o livro finalmente chega às lojas. O que o leitor pode esperar deste volume?
O leitor pode esperar a conclusão definitiva da saga iniciada em 2007 com a primeira publicação de A batalha do apocalipse. Cronologicamente, os livros da série Filhos do Éden se passam antes, então Paraíso perdido fecha o ciclo, contando a história dos eventos que levaram à batalha final, isto é, ao fim do mundo.
Este quarto romance une, portanto, dois grupos de personagens: aqueles apresentados em A batalha do apocalipse e os anjos que aprendemos a gostar durante toda a trilogia Filhos do Éden.
Paraíso perdido, além de finalizar a série Filhos do Éden, é também uma conexão entre esta saga e seu primeiro livro, A batalha do apocalipse. Este era o seu objetivo desde que começou a escrever Herdeiros de Atlântica ou foi algo que surgiu com o tempo?
Sempre foi. Eu não consigo absolutamente começar a escrever um romance sem saber como ele vai terminar. Claro que os detalhes são pensados adiante, às vezes na hora, mas a coluna vertebral da história segue sendo a mesma desde que eu a concebi, ao final de A batalha do apocalipse.
O capítulo extra "MTRN" – publicado pela primeira vez na edição especial de A batalha do apocalipse e que pode ser lido gratuitamente no meu blog, o Filosofia Nerd – é a prova de que eu tinha tudo traçado desde muito tempo.
Neste seu livro, Kaira, Denyel e Urakin vão para a dimensão de Asgard. Como foi o processo de pesquisa para inserir este novo universo na trilogia?
O processo de pesquisa, para mim, talvez seja a parte mais prazerosa de todo o trabalho. Precisamente porque eu acabo escrevendo sobre coisas que eu sempre gostei, como mitologia ou, no caso, mitologia nórdica. Mas Paraíso perdido não fala somente sobre isso.
O grande barato desse romance é que ele é dividido em três partes, completamente distintas. São quase como se fossem três novelas diferentes. A primeira parte se passa em Asgard, a dimensão dos deuses nórdicos; a segunda parte tem lugar no posso planeta, 35 mil anos atrás; e a terceira parte é uma viagem pelas dimensões paralelas, com os personagens tentando alcançar o Hades, uma espécie de inferno para os deuses gregos. O desafio, portanto, foi pegar todos eles elementos e apresentá-los em uma história coesa, que faça sentido e que seja interessante e emocionante ao leitor.
Seu público, além de extremamente fiel, vai desde adolescentes até uma faixa etária mais madura. A que você atribui este sucesso e como é o seu relacionamento com os fãs?
No começo, na época da publicação de A batalha do apocalipse pelo Jovem Nerd, os meus leitores eram basicamente homens entre 16 e 35 anos, pois esse era o público do site, então. Em 2010, quando o romance chegou às livrarias pela Verus, esse nicho foi ampliado, atingindo pessoas das mais diversas idades. Em seguida, com a inclusão das minhas obras no catálogo da Avon, homens e mulheres das classes menos favorecidas também tiveram acesso aos meus livros, pois a Avon chega em cidades muito pequenas, onde não há uma livraria sequer.
O que proporcionou essa diversidade de público, ao meu ver, foi esse acesso mais fácil às minhas obras, mas também gosto de pensar que as histórias que escrevo são capazes de tocar qualquer um que esteja disposto a escutá-las. Pelo menos, é isso o que eu tenho em mente ao escrever: tento abordar, através das mitologias, aspectos que sejam comuns e universais, temáticas que apesar da sua "capa" fantástica possam ser entendidas e vivenciadas por todos.
Ao todo, foram dez anos imerso neste universo de Batalha do apocalipse e Filhos do Éden. O que mudou no Eduardo Spohr como escritor neste tempo?
Como escritor, eu procurei e sempre procuro me instruir e estudar. No passado, como era um escritor amador, eu apenas escrevia, sem muita preocupação com a forma. Hoje estou cada vez mais preocupado não só com a história, mas como a prosa, isto é, com a maneira como eu escrevo, sempre tentando tornar o texto mais claro e acessível ao leitor.
Leio constantemente livros sobre técnicas de escrita, procuro ir a seminários e aprender com outros escritores. Meu sonho é, quem sabe no futuro, conseguir escrever um capítulo, por exemplo, de uma tacada só. Hoje em dia eu reviso pelo menos umas vinte vezes as minhas obras, até que elas fiquem minimamente razoáveis (risos).
Você é um autor muito ativo nas redes sociais. Como você vê o papel das novas mídias na propagação da literatura e também na quebra da resistência dos leitores quanto à fantasia nacional?
O grande lance da internet é que finalmente o leitor ganhou voz. Antigamente, só se tinha acesso à informação através dos grandes meios de comunicação de massa. Se você queria saber mais sobre um livro, ou perguntava para um amigo ou recorria às revistas especializadas e cadernos literários. Nada contra. Mas geralmente quem escreve nesses veículos são acadêmicos, especialistas, PhDs… não o público comum.
Com os blogs literários, redes sociais de livros e com a internet em geral, o leitor passou a poder não só publicar a sua opinião para o mundo, como passou também a ter acesso a essa informação. Hoje, se eu quero saber sobre um determinado livro de um autor obscuro que nasceu na China, por exemplo, basta eu colocar o nome dele no Google e vou encontrar ao menos umas vinte resenhas. Claro que é preciso saber separar o joio do trigo, mas informação nunca é demais.
É por isso que a internet têm revolucionado a literatura, tanto aqui no Brasil quanto no exterior. Basta dizer que um dos maiores fenômenos atuais da literatura, a série 50 tons de cinza, começou a ser publicado em websites e depois ganhou o mercado editorial. É realmente um momento muito importante para a nossa história cultural.
Seus personagens são marcantes e cada um dos protagonistas tem uma personalidade peculiar. A construção deles é, inclusive, um dos pontos mais exaltados pelos fãs. Como foi o trabalho para criar os traços dos personagens que, apesar de seres celestes, também têm os seus defeitos? Você tem um personagem preferido?
Neste caso, acho que o fato de eles serem anjos importa pouco, porque os escritores sempre buscam inspiração em pessoas reais. Não há sentido em criar um personagem, ou uma história, que não se conecte conosco. Todas as grandes histórias, ao meu ver, devem existir nesse sentido, devem ser um mapa para explorarmos as nossas emoções e nos conhecermos melhor enquanto indivíduos.
No decorrer desses quatro romances, me inspirei não só em pessoas reais como nos personagens de RPG que algumas delas interpretavam. Para quem não sabe, o RPG é um jogo de interpretação de papéis, muito útil também como ferramenta literária.
Anjos, vampiros, androides, alienígenas, zumbis... Não importa que recursos a literatura fantástica use: no fundo, todos esses personagens são seres humanos. Eu costumo dizer que os famosos robôs do Isaac Asimov, que se rebelam contra a sua programação, são, na verdade, nós mesmos tentando nos libertar de um sistema que nos trata como números.
Em relação à última pergunta, gosto de todos os meus personagens, mas não posso negar que tenho um carinho especial pelo Ablon, o Anjo Renegado, por ele dar início a essa minha jornada na literatura.
E por fim, a pergunta que todo fã quer saber: depois de Paraíso perdido, quando teremos mais Eduardo Spohr nas livrarias?
Se tudo der certo, no Natal de 2016. Estou trabalhando junto com o ilustrador Andrés Ramos na enciclopédia visual da série Filhos do Éden, que não só mostrará os cenários dos quatro livros, como também expandirá o universo retratado na tetralogia. Creio que os leitores vão curtir, está ficando super legal :-)










