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Alice Walker +5

Colaboradores do Grupo Editorial Record indicam autores negros

20/11/2019
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Hoje o Brasil celebra o Dia Nacional da Consciência Negra. A data busca promover a conscientização sobre a árdua luta do povo negro e a importância da rica cultura africana na construção do Brasil. A escolha do dia 20 rememora a morte de Zumbi dos Palmares, um líder símbolo da luta do povo negro contra a escravidão. A partir de uma busca fundamental de recuperação e valorização de autores negros no Brasil e no mundo, grandes nomes tomam conta do circuito literário atual, após anos de invisibilidade desses escritores e escritoras. Para incentivar ainda mais a leitura dessas obras, convidamos cinco colaboradores do Grupo Editorial Record para indicar um livro. Confira os títulos abaixo: Vitória Barbosa, estagiária de Marketing, indica: “O ódio que você semeia”, da Angie Thomas  width=Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Letícia Quintilhano, do Design, indica: “A cor púrpura”, da Alice Walker  width=Um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura, inspiração para a aclamada obra cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg, o romance A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra extremamente atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.
Luciana Aché, assistente editorial da Record, indica: “Agora serve o coração”, do Nei Lopes.  width=Debruçando-se sobre o cotidiano de algumas regiões da periferia da cidade do Rio, o carioca Nei Lopes traça um painel ficcional da fantástica mistura de criminalidade, politicagem e intolerância religiosa ali presentes, segundo os jornais. Verdades ou mentiras? Na fictícia Marangatu — capital do boato, onde qualquer notícia sem fundamento se espalha e faz vítimas —, na Baixada Fluminense, as escolas de samba, os candomblés e a igreja católica não passam de fantasias: de verdadeiro mesmo, só as organizações criminosas e as centenas de igrejas pentecostais. Essas forças teriam sido unificadas, segundo voz corrente, sob a influência da poderosa Iaiá de Marangatu, mulher “importante, majestosa e invejada”, mas impiedosa com seus inimigos. Mestre em entrelaçar ficção e realidade, Nei Lopes recria neste romance a periferia carioca — suas glórias, orgulhos, sombras e mitos — desde os tempos coloniais até o século XXI, passando pelos anos de chumbo da ditadura militar.
Letícia Feres, editora da Civilização Brasileira, indica: “Educação não violenta”, da Elisama Santos.  width=A partir de sua experiência como consultora de comunicação não violenta (CNV) e comunicação consciente, educadora parental e mãe de duas crianças, Elisama Santos propõe uma conversa com pais e mães que desejam construir relações e aprendizados baseados no respeito e no diálogo – e querem estimular autoestima, autonomia, autodisciplina e resiliência em si mesmos e nos filhos. A ideia é que o processo de construção de conhecimento torna-se positivo quando ocorre por meio da empatia e reflexão crítica. Assim, a autora apresenta conceitos que podem ajudar pais e filhos a se aproximarem, conectando-se com os próprios sentimentos e comunicando-os ao outro de forma objetiva e respeitosa: a comunicação não violenta, de Marshall Rosenberg; a atenção plena (mindfulness), do zen-budismo; a disciplina positiva, de Jane Nelsen; e a inteligência emocional, de Daniel Goleman. Este livro é uma alternativa à cultura autoritária que justifica o uso da violência e da repressão como método educativo. Aqui buscam-se caminhos para uma educação mais solidária e compreensiva, acreditando ser possível educar as crianças com consciência, para que as próximas gerações possam colher os frutos de um mundo mais amoroso e justo.
Débora Souza, analista de Marketing e Eventos, indica: “Um defeito de cor”, da Ana Maria Gonçalves.  width= Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página.