Martin Ford
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Há o que se comemorar no Dia do Trabalho?
O primeiro dia de maio consolidou-se historicamente como data para a celebração do trabalho, mas uma nova revolução tecnológica, impulsionada por robôs e máquinas dotados de capacidade de aprendizagem, nos leva ao questionamento inevitável: há ainda o que se comemorar no Dia do Trabalho? A reposta do empreendedor Martin Ford, autor de Os robôs e o futuro do emprego (Ed. BestBusiness), não é das mais animadoras. Ao refletir sobre as transformações do nossos tempos, Ford antevê o triunfo de máquinas e sistemas inteligentes que vão substituir trabalhadores em funções qualificadas também no setor de serviços, e não mais somente na indústria e na agricultura.
O autor de se contrapõe aos tecno-otimistas, elencando o que ele classifica como sete tendências fatais, entre elas a estagnação salarial e o declínio da participação da força de trabalho na geração de riqueza. Isso fica evidente quando comparada a quantidade de horas trabalhadas no setor empresarial americano com a quantidade de riqueza gerada no decorrer de 15 anos. Em 2013, levando em conta a correção da inflação, o valor dos bens e serviços produzidos pelas empresas norte-americanas foi US$ 3,5 trilhões maior que em 1998. Apesar do incremento na produtividade, a quantidade de tempo trabalhado num ano e no outro manteve-se no mesmo patamar de 194 bilhões de horas de trabalho.
A solução apresentada em Os robôs e o futuro do emprego estaria na criação de um projeto de renda básica. "O fator mais importante no planejamento de um sistema de renda garantida viável é criar corretamente os incentivos. O objetivo é fornecer uma rede de segurança universal, bem como um suplemento para as rendas baixas - porém sem fazer com que as pessoas percam o estímulo para trabalhar e ter o melhor desempenho possível".
A ideia, contextualiza o autor, foi defendida com especial vigor pelos conservadores e liberais, entre eles Friedrich Hayek, em sua obra Direito, legislação e liberdade.
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