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airton souza +9

Record entre os semifinalistas do Oceanos

23/08/2024
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Uma das mais importantes premiações para autores de Língua Portuguesa divulgou a lista de semifinalistas. Três livros do Grupo Editorial Record estão no páreo. Os romances de estreia de Airton Souza, Outono de carne estranha (Ed. Record), e de Denise Emmer, O barulho do fim do mundo (Ed. Bertrand Brasil), concorrem na categoria prosa. Oitentáculos (Ed. Record), que Nei Lopes lançou para celebrar os seus oitenta anos, está na disputa na categoria poesia. Confira abaixo as sinopses dos concorrentes da Record no Oceanos 2024.  width=Outono de carne estranha, do paraense Airton Souza, se passa no contexto da famosa e trágica Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo, explorada por milhares de homens na década de 1980. Nessa terra fragmentada pelas enxadas, marcada pela ganância e pela violência, o romance mescla fatos históricos e ficção para contar a história de Zuza e Manel, dois garimpeiros que se apaixonam, e Zacarias, um padre angustiado diante da própria batina. Os três protagonistas tentam, a todo custo, bamburrar: encontrar uma grande quantidade de ouro e, assim, ganhar a vida. A escrita de Airton fala as línguas do norte e do garimpo para adentrar um pedaço da história brasileira que, até hoje, pouco foi abordado pela literatura – Serra Pelada. A terra úmida, os desabamentos e o cheiro do garimpo são cenário de uma história em que talvez já não existam fronteiras entre o sagrado e o profano, entre a morte e o erotismo – constantes dualismos enfrentados pelos personagens.    width=Em uma narrativa que mescla o imaginário e o real, por meio de uma prosa poética e ao mesmo tempo dramática, Denise Emmer explora em O barulho do fim do mundo o realismo mágico para contar a história de uma casa e uma menina que sofrem nas mãos de tiranos. Uma casa no meio do nada, isolada de tudo e de todos, mas cheia de histórias para contar. Num raio de cem quilômetros não há outra morada com quem possa compartilhar as aventuras de abrigar criaturas mágicas, como o mestre e o piano que hospedou, com melodias que alcançavam os astros mais remotos, ou o circo que ocupou seus aposentos e lhe arrancava boas gargalhadas. Em um tempo sem relógios, agora é a vez de uma família grotesca encontrar ali um novo lar. Uma mãe cruel, um padrasto abusador e uma menina vítima dos dois. Amiudinha foi abandonada pelo pai assim que nasceu e nunca recebeu o amor da mãe. Uma menina que não pertence a lugar algum, sem origem e sem perspectiva de futuro. Desde cedo relegada aos trabalhos domésticos, a casa é tudo que ela conhece e sua grande companheira e aliada. E, pela menina, a casa é capaz de tudo.    width=Em Oitentáculos , Nei Lopes reconstrói o passado – o próprio e o do Brasil – e se lança na direção do além. São 69 poemas, a maioria inéditos, que superam as pequenezas que fazem da vida terrena um martírio doloroso e sufocado; e reverenciam, com humildade suburbana, os mistérios que alicerçam a esperança e a alegria. Poemas recentes se misturam a outros, escritos entre as décadas de 1960 e 1980, “salvos de naufrágios no mar da Juventude”. Juntos, os textos apresentam os principais temas da lira de Nei Lopes: a ancestralidade afro-indígena, caribenha e afro-americana, o canto da diáspora negra e a cosmologia dos orixás; a esperteza da lábia, os jogos de palavras e o ritmo sempre bem cadenciado; as lembranças de infância, sua formação acadêmica e de rua, as brincadeiras e os aprendizados da mocidade no bairro de Irajá, no Rio de Janeiro; e, além de tudo, o compromisso reafirmado em seus versos com “a Poesia, a Democracia e o Direito”.