antirracista
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"bell hooks via o feminismo como saída para sociedade justa"
A ativista norte-americana bell hooks, que morreu neste dia 15/12, aos 69 anos, foi uma das vozes mais potentes na luta pelos direitos civis das mulheres negras. Suas reflexões e seus escritos sobre a interseccionalidade ampliaram o escopo do debate sobre o feminismo. E eu não sou uma mulher? – Mulheres negras e feminismo (1981), livro de estreia publicado pela Rosa dos Tempos, primeira editora feminista do Brasil, se tornou indispensável para as novas gerações de feministas em todo o mundo.
Nesse livro, que é uma das obras feministas mais importantes de todos os tempos, bell hooks de maneira resumida, prática, convocatória, defende que o feminismo é a saída para uma sociedade mais justa, igualitária, uma causa que deve ser abraçada por todo mundo.
“bell hooks enxergava o feminismo como a saída para uma sociedade mais justa, igualitária, uma causa que deve ser abraçada por todo mundo", explica a editora-executiva Livia Vianna, da Rosa dos Tempos. “Tê-la na editora fundada por Rose Marie Muraro, uma das maiores feministas da história brasileira, e também no mesmo Grupo Editorial de Paulo Freire, que foi das mais significativas inspirações para a autora, nos faz ter certeza que é através da publicação desses grandes nomes, autores de obras tão seminais, que vamos construir dias e tempos melhores.”
No prefácio à edição de 2015 de E eu não sou uma mulher?, bell hooks relata ter chorado com a professora, Tillie Olsen, em sua primeira aula de Estudos de Mulheres, ao se dar conta que o desafio de conciliar os afazeres de educar os filhos com o trabalho fora de casa era ainda maior no caso das mulheres negras que tinham que lutar contra duas camadas de preconceitos: uma por conta do gênero e outra da raça.
Entre as principais influências de bell hooks estão pioneiras como a conterrânea Anna Julia Cooper (1858-1964) e o brasileiro Paulo Freire (1921-1997), a quem ela dedica um capítulo de Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade (1994). hooks considerava que ensinar era um ato performático, capaz de oferecer espaços para a mudança e a inventividade.
Nascida Gloria Jean Watkins, adotou o nome bell hooks (todo em minúscula), em homenagem à avó. A Rosa dos Tempos no primeiro ano de sua retomada em 2018 publicou um dos livros mais importantes de bell hooks, O feminismo é para todo mundo – Políticas arrebatadoras.
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