Quem convive com a imortal Nélida Piñon sabe que ela frequenta os chás da Academia Brasileira de Letras com a mesma elegância com que circula pelas ruas do Humaitá – bairro colado à Lagoa, onde vive –, as festas em casas de amigos ou os restaurantes tradicionais de Portugal, Espanha e outros lugares para os quais costuma viajar. Conhecida também por ser grande anfitriã, costuma presentear as pessoas queridas com mimos e cumprimenta a todos que vê pelo caminho com o mesmo entusiasmo. Nélida gosta da rua, adora conhecer pessoas e valoriza como ninguém essas descobertas. Foi assim que, na semana passada, nossa autora ligou para o colega Alberto Mussa e marcou com ele uma visita ao Bar Madrid, recém-aberto na Tijuca por Felipe Quintaes, a quem conhecera no seu mais recente lançamento de livro, e com quem logo se identificou por suas origens comuns na Galícia. Mandou convidar também o historiador Luiz Antônio Simas, que, como bom cronista que é, registrou esse encontro delicioso no texto abaixo.
Por Luiz Antônio Simas
Vez por outra acontecem umas coisas que arrebatam o coração da gente de uma maneira especial. Esta semana o meu irmão e parceiro querido Alberto Mussa me ligou dizendo que a dona Nélida Piñon queria conhecer o Bar Madrid, um cantinho galego do Rio, e queria me conhecer, por achar que escrevo coisas interessantes. Achei exagero do meu amigo, mas fui. Ainda bem. Acabamos de passar uma tarde das mais agradáveis. Tomamos uns birinaites, falamos de Marques Rebelo, juramos amor pelo Brasil e pela língua portuguesa. Felipinho conversou com Nélida sobre o amor pela Galícia, Mussa contou do próximo livro, Benjamin, meu moleque, danou de fazer desenhos para todo mundo. Sem frescuras, poses ou salamaleques. Elaine, querida, mãe do cavaleiro Heitor, estava lá também. Na despedida, Dona Nélida, que ainda fez a gentileza de me levar um presente, acabou comigo: - Que bom te conhecer. Você é um intelectual nosso. Travei, me emocionei, e fiz apenas o que cabia na ocasião: voltei ao Madrid e pedi a saideira. A miudinha, na vida e nos pequenos gestos das gentes grandes, é a que nos alumeia. Eu guardo comigo, sempre, as pequenas gentilezas das mulheres e dos homens de bem. Prosadora grandiosa, Dona Nélida, em sua simplicidade comovente, engrandece, com a sua literatura e os seus gestos, o Brasil.











