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Adélia Prado +2

Um papo sobre Adélia com Afonso Borges

18/04/2016
Um papo sobre Adélia com Afonso Borges
Por Cláudia Lamego   Este ano, Adélia Prado estava determinada a não participar de eventos e negou vários convites e homenagens. Qual o segredo de Afonso Borges para levar a autora ao Sempre um papo, que hoje tem mais uma edição em São Paulo com autora? ​Eu conheço, e admiro Adélia desde 1986, quando fiz o primeiro Sempre Um Papo com ela, em Belo Horizonte. Da minha parte, existe um profundo respeito pelo seu ritmo, que é completamente diferente dos demais autores brasileiros. Eu faço os convites, mas também espero o momento no qual ela decide sair para trabalhar seus livros. E um segredo: nunca insisto. ​   Conte um pouco de sua relação com a poetisa e com sua obra, como ela te marcou, influencia e inspira. ​Adélia Prado tem uma poesia profundamente comprometida com o humano e, por isso, sintonizada com os acontecimentos. A leitura de seus poemas, estruturados no cotidiano, nos leva a uma dimensão ​universal. Os grandes temas da humanidade estão todos ali: amor, política, arte e beleza. E este "Poesia Reunida" é, definitivamente, um livro de cabeceira. Um livro para nunca sair da nossa cabeceira.   Tem algum momento, das sempre emocionantes participações de Adélia no seu evento, que você gostaria de compartilhar com nossos leitores? ​Um dia perguntaram a Carlos Drummond de Andrade qual era o poema que ele mais gostava na vida. Ele respondeu: "o último". Adélia também é assim: suas palestras são uma iluminação tão grande que o momento mais emocionante foi mês passado, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Em breve o programa irá ao ar no nosso site. ​   Você é um dos principais nomes na divulgação da literatura e do mercado de livros no Brasil. Seus eventos lotam, seu nome é respeitado e querido pelos autores, você fala na rádio CBN, tem um blog e recentemente ganhou um espaço também no site de um grande jornal. Num momento em que cadernos de cultura perdem espaço e são fechados, o que você diria da importância de manter esses canais abertos? A forma de divulgação de livros e autores está mudando de forma radical. Não mais sabemos o que pode dar certo, ou não. Melhor é manter o trabalho em círculo, atuando em todas as frentes. É o que eu tento fazer​, do Facebook ao "O Globo".