Filandras

Filandras

Autor: Adélia Prado
Conteúdo do livro
CÓDIGO DA OBRA9788501925213
Sinopse

Em Filandras, Adpelia Prado reune 43 contos curtos que retratam a vida cotidiana simples de mulheres que aprendem a se mover, sonhar, desejar e sofrer no espaço íntimo da casa, entre as obrigações de todos os dias e anseios de uma vida inteira. Ao traçar vários retratos dessas mulheres, os contos se unem num contexto maior e formam um painel delicado e íntimo da existência feminina.

Ester está deprimida por conta da menopausa; Calixtinha ficou grávida depois de namorar em segredo Otavianinho; uma sonhadora vê no casamento com moço da rede ferroviária “garantia de solidez e conforto”. Essas são algumas das personagens que aparecem nos contos de Filandras, publicado pela primeira vez em 2001, e que traz, em prosa, os temas mais preciosos para Adélia Prado: religião, amor, desejo, inocência, morte, tudo entrelaçado por fios delicados, como sugere o título, mas também muito passíveis de se estreitarem em nós fatais. É dessa trama que se cria o universo ficcional de Adélia Prado, a maior poeta brasileira hoje, capaz de transformar histórias cotidianas em grandes épicos.

Se a maioria dos grandes contistas brasileiros da segunda metade do século XX concentrou-se em narrar as mazelas vindas a reboque da urbanização das metrópoles, Adélia Prado vai em sentido contrário ao olhar para o interior, revelando grandes dramas no microcosmo da pequena cidade. Em sua escrita, o humano surge das miudezas. Dona Ceres, Olinda e Célia, personagens recorrentes na obra, andam de “ônibus de linha”, dão conselhos, receitam remédios caseiros e emprestam açúcar a quem bater palma na frente de seus portões. Há ainda o resgate de Dona Doida, personagem que faz referência à peça estrelada por Fernanda Montenegro nos anos 1980, aqui retratada como uma mulher humilde e cômica, levada ao hospital por conta do “istrés”.

No plano estilístico, as histórias são tão notáveis pela contenção das coisas não ditas quanto pelo retrato vívido do cotidiano no interior. Numa “terra de donasmarias”, a visão católica manifesta-se na angústia metafísica da existência das personagens. Um mundo que, conforme bem define uma das narradoras do livro, é ao mesmo tempo “maravilhoso e imperfeito”.

A tempo de comemorar os prêmios Camões e Machado de Assis (ABL), conquistados em 2024, e os 90 anos da autora, completados em dezembro de 2025, Filandras chega aos leitores com capa nova criada pelo premiado designer Leonardo Iaccarino a partir da tela do artista plástico Pedro Meyer.

ISBN978-850-192-521-3
Tradutor
Altura205 mm
Largura135 mm
Profundidade10 mm
Lançamento09/02/2026
Páginas112
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Conteúdo do livro
CÓDIGO DA OBRA9788501925213
Sobre o autor

Adélia Prado

Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em 13 de dezembro de 1935, na cidade de Divinópolis, Minas Gerais, onde vive até hoje. Escreveu seus primeiros versos aos 15 anos, em 1950, logo após o falecimento de sua mãe. Em 1958, casou-se com José Assunção de Freitas, funcionário do Banco do Brasil. O casal teve cinco filhos. Antes do nascimento da última filha, a escritora e o marido iniciaram o curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis. Adélia formou-se em 1973, um ano após a morte do pai. Poucos anos depois, enviou os originais de seus poemas ao crítico e escritor Affonso Romano de Sant’Anna, que os submeteu à apreciação de Carlos Drummond de Andrade. O poeta mineiro considerou os poemas “fenomenais” e indicou sua publicação a Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago. O editor, empolgado com o que leu, decidiu publicar os originais, o que resultou no lançamento de Bagagem, no Rio de Janeiro, em 1976, com a presença de Antônio Houaiss, Raquel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Affonso Romano de Sant’Anna e Nélida Piñon, entre outros intelectuais e escritores. Em 1980, ela fundou sua companhia de teatro amador, Cara e Coragem, para a qual adaptou e dirigiu peças de Dias Gomes e Ariano Suassuna. Em parceria com o colega Lázaro Barreto, escreveu um auto de Natal intitulado O clarão. Vencedora de inúmeros prêmios literários – entre os quais, o Jabuti, o da Academia Brasileira de Letras e, por duas vezes, o da Biblioteca Nacional –, Adélia Prado foi condecorada pelo Governo Brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural, em 2014.

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